30.11.04
nossa, hoje tô cheio de assunto pra falar. tô parecendo até aquelas adolecentes sem amigos que escrevem sua vida inteira no blog ou flog. mas é que eu passei mto tempo comigo mesmo e eu já não me suporto mais.
novas peripécias em paraty
(requer ler o post anterior para entendimento completo, pleno, total e absoluto)
fui fazer o acompanhamento da obrinha de novo e lá fui eu para paraty. dessa vez sem surpresas, já sabia que a andréa estaria de novo tocando no café paraty. e dei início aos trabalhos:
. chegada
. check in
. banho
. organização do dia de trabalho (pasmem!)
. hamburguer na praça do chafariz (que para mim sempre será praça do 24 horas)
. um copo de pinga com mel
. um pote de aproximadamente 5 reais de sorvete (de pistache dessa vez)
bunda na soleira e lá estou eu embasbacado de novo com o show da moça. dessa vez ela trazia consigo um camarada que tocava baixo, que deu um colorido a mais ainda na música. e a sua voz e violão, putz! o engraçado é que eu acho que a voz dela tem um quê de adriana calcanhoto. aí nessa semana passada baixei "e o mundo não se acabou", que é uma música sensacional que as duas tocam. daí ontem quando ouvi a andrea tocando a mesma musica, constatei: as semelhanças de voz param logo no tal do quê. a voz made in paraty é n vezes melhor, com n tendendo ao infinito. (a voz dela tem uma delicadeza que eu nunca (ou)vi)
aí lá pelas tantas eu começo novamente a cogitar entrar no café paraty, para pagar o couvert e tomar uma caipirinha. só que sentar ali na soleira é 1000x mais agradável. chego então para o garçon e peço uma caipirinha, mas para tomar na soleira. ele, com toda razão, fala que não pode me servir lá, e eu tenho que pegar no balcão. ao pagar, paguei a caipirinha, o couvert e os 10% (tudo dá em torno de uns 20 reais) . ele não aceita tanto (so queria o da caipirinha), eu jogo o dinheiro no balcão (porque queria pagar o couvert de qq jeito) e saio do bar que nem um louco, e eles (os garçons) ficam rindo de mim. (e eu deles).
(nossa, quanto parenteses!)
depois das tantas, eis que dona gorgati começa a cantar djavan e até "ainda lembro" da marisa monte. em situações ordinárias eu me levantaria imediatamente do local e iria para casa, porque todos nós sabemos quão chatas são as pessoas, versões e repertório do povo que canta isso em barzinhos. só que essa não era uma situação ordinária. vocês não entendem como essas músicas ficam na voz dela. fantásticas. meu ódio pelos outros violeiros que cantam elas aumentou exponencialmente, visto que agora as versões deles, que já achava sofrível, passou agora a ser encarada por mim com total desprezo. tudo uma questão de relatividade.
quando as tantas já eram muitas mais, o garçon - wagner - incrivelmente simpático e agora já com uma certa confiança em mim, vai até mim lá fora. eis o diálogo:
- e aí, mais uma?
- huhmmm... pode ser. (e começo a meter a mão no bolso)
- ei! ó, essa é cortesia hein! (previnindo que não ia aceitar meu dinheiro)
- hã? (tirando a mão do bolso)
- ah, achei que você ia fazer alguma coisa aí.
só que eu sou o mais cabeça dura do universo.
então, depois quando ele trouxe a caipirinha....
- wagner, não tem a menor possibilidade de eu não pagar isso. (com o dinheiro na mão)
- não, fala sério!
- sério! se você não aceitar eu vou jogar o dinheiro no bar e sair correndo.
- putz... então tá, me dá aí que eu vou botar na caixinha dos garçons.
- valeu! (feliz)
quando as tantas já tinham até perdido suas próprias contas e falta apenas uma música para o fim do show, wagnão (eu já cheio de intimidade) vem até a soleira e fica um trecho do show comigo, um já medianamente embrigado e pacato sujeito.
- você vem sempre para paraty, né? (pergunta ele)
- venho sim. e sempre que venho eu venho ouvir ela. é a voz mais linda que eu conheço.
- você conhece ela?
- não. meu lance com ela não é nada pessoal não, é com a voz mesmo.
- ela tem a voz linda e é uma pessoa linda também, gente boa pra caramba!
- (cara de bobo alegre)
então ele se vai pouco antes da última música terminar. ela se despede da platéia e eu dou meu último aplauso agradecido visualmente por ela através da janela. lindo, cena memorável de um final de filme.
(final?)
daí voltei pra pousada bêbado, acordei ainda meio bêbado no dia seguinte às 6:00 para voltar, e 20km depois fiquei enjoado na estrada e vomitei no acostamento. pô wagnão, devia ter dito não pra segunda caipirinha!
os incidentes dos acidentes
(não requer conhecimento prévio)
já no rebouças me vejo num daqueles engarrafamentos horrorosos. já repararam como sempre num engarrafamento passam cheio de sirenes barulhentas em algum momento uma ou duas ambulâncias e umas duas ou três viaturas da PM?
e depois à frente você descobre que não há acidente nenhum?
das duas uma: ou eles se aproveitam da situação ou (a mais provável) eles levam os acidentados para o fantástico mundo dos isqueiros e canetas bic perdidos, onde ninguém sabe onde é.
beleza não tem religião
(esse aqui então, se eu fosse você eu nem lia)
já na lagoa, ainda num engarrafamentozinho, noto ao lado um gol, com uma moça dentro. penso comigo mesmo: "nossa, ela é a maior gata, e aparentemente a mó gostosa também!". em seguida, em papo de 2s depois, vejo pendurado no retrovisor um crucifixo, daqueles grandes.
automaticamente tomo repulsa, tal qual um satãzinho.
penso comigo logo após perceber a sequencia dos fatos, me achando tão sábio quanto, no mínimo, socrates (não o jogador):
"cruzes! (interjeição adequada) que irônico! esse lance de fanatismo religioso tá tão bizarro que ao ver um crucifixão ao invés de eu achar uma virtude eu achei repulsivo. será que sou só eu que penso assim?" - fui me questionando, mais ateu do que nunca.
vade retro.
novas peripécias em paraty
(requer ler o post anterior para entendimento completo, pleno, total e absoluto)
fui fazer o acompanhamento da obrinha de novo e lá fui eu para paraty. dessa vez sem surpresas, já sabia que a andréa estaria de novo tocando no café paraty. e dei início aos trabalhos:
. chegada
. check in
. banho
. organização do dia de trabalho (pasmem!)
. hamburguer na praça do chafariz (que para mim sempre será praça do 24 horas)
. um copo de pinga com mel
. um pote de aproximadamente 5 reais de sorvete (de pistache dessa vez)
bunda na soleira e lá estou eu embasbacado de novo com o show da moça. dessa vez ela trazia consigo um camarada que tocava baixo, que deu um colorido a mais ainda na música. e a sua voz e violão, putz! o engraçado é que eu acho que a voz dela tem um quê de adriana calcanhoto. aí nessa semana passada baixei "e o mundo não se acabou", que é uma música sensacional que as duas tocam. daí ontem quando ouvi a andrea tocando a mesma musica, constatei: as semelhanças de voz param logo no tal do quê. a voz made in paraty é n vezes melhor, com n tendendo ao infinito. (a voz dela tem uma delicadeza que eu nunca (ou)vi)
aí lá pelas tantas eu começo novamente a cogitar entrar no café paraty, para pagar o couvert e tomar uma caipirinha. só que sentar ali na soleira é 1000x mais agradável. chego então para o garçon e peço uma caipirinha, mas para tomar na soleira. ele, com toda razão, fala que não pode me servir lá, e eu tenho que pegar no balcão. ao pagar, paguei a caipirinha, o couvert e os 10% (tudo dá em torno de uns 20 reais) . ele não aceita tanto (so queria o da caipirinha), eu jogo o dinheiro no balcão (porque queria pagar o couvert de qq jeito) e saio do bar que nem um louco, e eles (os garçons) ficam rindo de mim. (e eu deles).
(nossa, quanto parenteses!)
depois das tantas, eis que dona gorgati começa a cantar djavan e até "ainda lembro" da marisa monte. em situações ordinárias eu me levantaria imediatamente do local e iria para casa, porque todos nós sabemos quão chatas são as pessoas, versões e repertório do povo que canta isso em barzinhos. só que essa não era uma situação ordinária. vocês não entendem como essas músicas ficam na voz dela. fantásticas. meu ódio pelos outros violeiros que cantam elas aumentou exponencialmente, visto que agora as versões deles, que já achava sofrível, passou agora a ser encarada por mim com total desprezo. tudo uma questão de relatividade.
quando as tantas já eram muitas mais, o garçon - wagner - incrivelmente simpático e agora já com uma certa confiança em mim, vai até mim lá fora. eis o diálogo:
- e aí, mais uma?
- huhmmm... pode ser. (e começo a meter a mão no bolso)
- ei! ó, essa é cortesia hein! (previnindo que não ia aceitar meu dinheiro)
- hã? (tirando a mão do bolso)
- ah, achei que você ia fazer alguma coisa aí.
só que eu sou o mais cabeça dura do universo.
então, depois quando ele trouxe a caipirinha....
- wagner, não tem a menor possibilidade de eu não pagar isso. (com o dinheiro na mão)
- não, fala sério!
- sério! se você não aceitar eu vou jogar o dinheiro no bar e sair correndo.
- putz... então tá, me dá aí que eu vou botar na caixinha dos garçons.
- valeu! (feliz)
quando as tantas já tinham até perdido suas próprias contas e falta apenas uma música para o fim do show, wagnão (eu já cheio de intimidade) vem até a soleira e fica um trecho do show comigo, um já medianamente embrigado e pacato sujeito.
- você vem sempre para paraty, né? (pergunta ele)
- venho sim. e sempre que venho eu venho ouvir ela. é a voz mais linda que eu conheço.
- você conhece ela?
- não. meu lance com ela não é nada pessoal não, é com a voz mesmo.
- ela tem a voz linda e é uma pessoa linda também, gente boa pra caramba!
- (cara de bobo alegre)
então ele se vai pouco antes da última música terminar. ela se despede da platéia e eu dou meu último aplauso agradecido visualmente por ela através da janela. lindo, cena memorável de um final de filme.
(final?)
daí voltei pra pousada bêbado, acordei ainda meio bêbado no dia seguinte às 6:00 para voltar, e 20km depois fiquei enjoado na estrada e vomitei no acostamento. pô wagnão, devia ter dito não pra segunda caipirinha!
os incidentes dos acidentes
(não requer conhecimento prévio)
já no rebouças me vejo num daqueles engarrafamentos horrorosos. já repararam como sempre num engarrafamento passam cheio de sirenes barulhentas em algum momento uma ou duas ambulâncias e umas duas ou três viaturas da PM?
e depois à frente você descobre que não há acidente nenhum?
das duas uma: ou eles se aproveitam da situação ou (a mais provável) eles levam os acidentados para o fantástico mundo dos isqueiros e canetas bic perdidos, onde ninguém sabe onde é.
beleza não tem religião
(esse aqui então, se eu fosse você eu nem lia)
já na lagoa, ainda num engarrafamentozinho, noto ao lado um gol, com uma moça dentro. penso comigo mesmo: "nossa, ela é a maior gata, e aparentemente a mó gostosa também!". em seguida, em papo de 2s depois, vejo pendurado no retrovisor um crucifixo, daqueles grandes.
automaticamente tomo repulsa, tal qual um satãzinho.
penso comigo logo após perceber a sequencia dos fatos, me achando tão sábio quanto, no mínimo, socrates (não o jogador):
"cruzes! (interjeição adequada) que irônico! esse lance de fanatismo religioso tá tão bizarro que ao ver um crucifixão ao invés de eu achar uma virtude eu achei repulsivo. será que sou só eu que penso assim?" - fui me questionando, mais ateu do que nunca.
vade retro.
24.11.04
andréa gorgati é a dona da voz mais linda que eu conheço.
(pelo menos da voz cantada)
há uns anos eu fui pra paraty com uns amigos; a gente tava fazendo um encontro de estudantes de arquitetura por lá. era algo trabalhoso, então a gente ia com certa frequência, e às vezes para passar muitos dias seguidos.
a gente geralmente trabalhava durante manhã e tarde. à noite a gente dava uma descansada pela cidade. eu e um desses meus amigos - o nobre brunão, que nos hospedou em seu lindo lar quando fizemos show em poa (e lar esse que ficou menos lindo enquanto estivemos lá, acrescido de 4 cabras feios pra xuxú) - tínhamos o hábito de tomar sorvete de noite. acho que na verdade o bruno é que tinha esse hábito, mas acabou que passou para mim como uma doença incurável.
o ritual era sagrado: comíamos um(ns) hamburguer(es) em frente ao quisque do banco 24 horas e depois entrávamos rua de pedra adentro no centro histórico. no fim da quadra, bem na esquina, havia e ainda há uma loja de sorvete por quilo. carinha, mas gostosa. parávamos lá e enchíamos nossos potes com tudo o que a nossa vontade mandava (geralmente não pensávamos muito em dinheiro nessa hora, éramos zuras em todos os gastos, menos no sorvete - curioso). pegávamos nossos potinhos e sentávamos na soleira do casarão ao lado - que não sei nem bem do que que é.
mas onde eu quero chegar?
a dita soleira é em frente a um bar com música ao vivo chamado "café paraty", famoso na cidade. ao sentar lá a gente ouvia e via a pessoa que tocava/cantava, então não é de se estranhar que nós conhecêssemos todas as atrações do "café". pois bem, eram todas legais, mas tinha uma moça que cantava mpb no esquema "voz e violão" que era fantástica. tanto no repertório, quanto no jeito de tocar e principalmente no jeito de cantar. a gente ficava maravilhado.
eu lembro que muitas vezes a gente estava lá prestando muita atenção e o pessoal que estava no bar nem tava dando muita bola. então ao fim de uma música ou outra a gente aplaudia de fora, e ela olhava pra gente pela janela do bar e agradecia docemente. (sem mágoas com o pessoal de dentro, a frase acima é uma indignação própria minha).
aos poucos a gente fez disso algo corriqueiro, e sempre que eu sabia que a "andréa" (não sabia o sobrenome) ia tocar no café paraty eu acertava meus planos inteiros da noite para que eu pudesse ouví-la de novo.
a única coisa que me incomodava é que a gente nunca deu nem um centavo pra ela (ou de tabela pra ela, que seja) porque como a gente nunca entrava no bar, nunca pagava couvert. isso é algo que me doía um pouco, mas a gente sempre foi duro pra paraty (menos na hora do sorvete, vejam só) e em época de temporada então, o couvert chega a 15 reais. bem, não dava.
corta.
ontem fui pra paraty. estava dando uma assessorada numa obrinha lá em angra (ah sim, além de baterista eu sou arquiteto) e na hora de voltar pra casa hesitei e virei pro lado inverso para passar a noite e dormir em paraty. (ah, eu amo paraty. se conseguir, um dia ainda vou morar lá).
chego na pousada.
ótima pousada, ótimos funcionários, ótimo dono. (ah, ótimo café da manhã também!)
ótimo banho.
ao sair vejo um cartaz das atrações do "café paraty" para novembro, onde pessoas se revezavam, e em alguns dos dias estava lá: "andréa gorgati". procurei no calendário e me sorri todo por dentro quando descobri que dia 23 era dia dela.
saio para comer alguma coisa. hambúrguer, claro. o perto do quiosque, claro.
vou em direção ao "café paraty". surpresa desagravável: havia um sujeito tocando e cantando. o cara era bom mas não se chamava andréa. vi que era ela e ele, e que os shows começaram a partir das 19:30 - e não das sei lá 22:30 como habitualmente, que era a hora em que cheguei.
muito mais triste do que chegara, fui pra praça da matriz e tomei uma pinga com mel, essa de tradição particular minha em paraty. voltei para a frente do "café paraty", pensei uma ou duas vezes e decidi tomar o sorvete mesmo assim. 5 reais e pouco mais pobre, voltei para a soleira para findar solitariamente minha noite, quando veja só: sai do palco o sujeito (desculpe-me sujeito, nem sei o seu nome) e sobe quem? a andréia, cuja voz me faria então companhia até a minha partida para a pousada.
a voz dela é realmente a coisa mais linda que eu ouvi. isso valendo todas as cantoras que já escutei, famosas ou não - e eu já escutei muitas, e de muitos estilos. e "linda" é realmente o termo. não é "triste", nem "forte", nem "notável". é simplesmente "linda", na plenitude da palavra. acho que se eu estivesse um dia à beira de um ataque de nervos e escutasse um verso cantado por ela ficaria instantaneamente calmo que nem uma manhã de domingo (com a devida licença). e ela tem um jeito muito doce de se portar e se comunicar também.
terminei meu sorvete após ter aplaudido umas duas ou três - habitualmente agradecidas.
(ontem concluí que aplauso demais banaliza a situação. aplaudi só as favoritas.)
olhei para a plaquinha: 8 reais de couvert.
chequei o bolso: pouco mais de um mico leão dourado.
decidi ser justo ao menos uma vez na vida. até porque afinal de contas, pô, eu também tento ser músico, e acho uma puta sacanagem moral nunca ter pago para ouvir essa voz. logo essa.
entrei lá dentro e pedi uma caipirinha, mesa do fundo.
fiquei até o fim do show. quase tentei rebaixá-la a segunda posição, mas não deu certo e ela venceu com anos luz de vantagem para todas as outras juntas.
antes de partir ainda fiz o último ato mínimo de justiça que eu poderia para compensar a ela o bem que ela faz a mim. fui até o bar, onde ela estava acho que comendo algo.
falei, mais tímido do que criança quando fala com o papai noel no shopping dia 24:
- desculpa incomodar, mas você tem a voz mais linda que eu já ouvi na vida.
ela, pega de surpresa, me agradeceu um pouco encabulada - porém muito docemente e educadamente, para minha não-surpresa.
fui embora me sentindo uma pessoa 1000x melhor. se isso tiver feito a ela 1/1000 do bem que ela faz a mim, já podemos morrer pessoas felizes.
e olha que eu não tenho nada com ela, pessoa, andréa. nem sei se ela é casada ou tem namorado, e se você - esposo ou namorado dela - está lendo isso, por favor não me bata na próxima vez que eu for pra paraty. na real eu nem lembro direito do rosto dela, de tão rápida que foi a coisa. digamos que se ela matasse alguém e eu tivesse que reconhecer visualmente o assassino o caso seria arquivado sem solução.
mas é que tem gente que se apaixona por outra.
tem gente que se apaixona por uma cidade.
tem gente que se apaixona por carro e tem gente que se apaixona por bicho.
tem gente que se apaixona até por sapato.
pois é, vejam só, eu me apaixonei por uma voz.
(pelo menos da voz cantada)
há uns anos eu fui pra paraty com uns amigos; a gente tava fazendo um encontro de estudantes de arquitetura por lá. era algo trabalhoso, então a gente ia com certa frequência, e às vezes para passar muitos dias seguidos.
a gente geralmente trabalhava durante manhã e tarde. à noite a gente dava uma descansada pela cidade. eu e um desses meus amigos - o nobre brunão, que nos hospedou em seu lindo lar quando fizemos show em poa (e lar esse que ficou menos lindo enquanto estivemos lá, acrescido de 4 cabras feios pra xuxú) - tínhamos o hábito de tomar sorvete de noite. acho que na verdade o bruno é que tinha esse hábito, mas acabou que passou para mim como uma doença incurável.
o ritual era sagrado: comíamos um(ns) hamburguer(es) em frente ao quisque do banco 24 horas e depois entrávamos rua de pedra adentro no centro histórico. no fim da quadra, bem na esquina, havia e ainda há uma loja de sorvete por quilo. carinha, mas gostosa. parávamos lá e enchíamos nossos potes com tudo o que a nossa vontade mandava (geralmente não pensávamos muito em dinheiro nessa hora, éramos zuras em todos os gastos, menos no sorvete - curioso). pegávamos nossos potinhos e sentávamos na soleira do casarão ao lado - que não sei nem bem do que que é.
mas onde eu quero chegar?
a dita soleira é em frente a um bar com música ao vivo chamado "café paraty", famoso na cidade. ao sentar lá a gente ouvia e via a pessoa que tocava/cantava, então não é de se estranhar que nós conhecêssemos todas as atrações do "café". pois bem, eram todas legais, mas tinha uma moça que cantava mpb no esquema "voz e violão" que era fantástica. tanto no repertório, quanto no jeito de tocar e principalmente no jeito de cantar. a gente ficava maravilhado.
eu lembro que muitas vezes a gente estava lá prestando muita atenção e o pessoal que estava no bar nem tava dando muita bola. então ao fim de uma música ou outra a gente aplaudia de fora, e ela olhava pra gente pela janela do bar e agradecia docemente. (sem mágoas com o pessoal de dentro, a frase acima é uma indignação própria minha).
aos poucos a gente fez disso algo corriqueiro, e sempre que eu sabia que a "andréa" (não sabia o sobrenome) ia tocar no café paraty eu acertava meus planos inteiros da noite para que eu pudesse ouví-la de novo.
a única coisa que me incomodava é que a gente nunca deu nem um centavo pra ela (ou de tabela pra ela, que seja) porque como a gente nunca entrava no bar, nunca pagava couvert. isso é algo que me doía um pouco, mas a gente sempre foi duro pra paraty (menos na hora do sorvete, vejam só) e em época de temporada então, o couvert chega a 15 reais. bem, não dava.
corta.
ontem fui pra paraty. estava dando uma assessorada numa obrinha lá em angra (ah sim, além de baterista eu sou arquiteto) e na hora de voltar pra casa hesitei e virei pro lado inverso para passar a noite e dormir em paraty. (ah, eu amo paraty. se conseguir, um dia ainda vou morar lá).
chego na pousada.
ótima pousada, ótimos funcionários, ótimo dono. (ah, ótimo café da manhã também!)
ótimo banho.
ao sair vejo um cartaz das atrações do "café paraty" para novembro, onde pessoas se revezavam, e em alguns dos dias estava lá: "andréa gorgati". procurei no calendário e me sorri todo por dentro quando descobri que dia 23 era dia dela.
saio para comer alguma coisa. hambúrguer, claro. o perto do quiosque, claro.
vou em direção ao "café paraty". surpresa desagravável: havia um sujeito tocando e cantando. o cara era bom mas não se chamava andréa. vi que era ela e ele, e que os shows começaram a partir das 19:30 - e não das sei lá 22:30 como habitualmente, que era a hora em que cheguei.
muito mais triste do que chegara, fui pra praça da matriz e tomei uma pinga com mel, essa de tradição particular minha em paraty. voltei para a frente do "café paraty", pensei uma ou duas vezes e decidi tomar o sorvete mesmo assim. 5 reais e pouco mais pobre, voltei para a soleira para findar solitariamente minha noite, quando veja só: sai do palco o sujeito (desculpe-me sujeito, nem sei o seu nome) e sobe quem? a andréia, cuja voz me faria então companhia até a minha partida para a pousada.
a voz dela é realmente a coisa mais linda que eu ouvi. isso valendo todas as cantoras que já escutei, famosas ou não - e eu já escutei muitas, e de muitos estilos. e "linda" é realmente o termo. não é "triste", nem "forte", nem "notável". é simplesmente "linda", na plenitude da palavra. acho que se eu estivesse um dia à beira de um ataque de nervos e escutasse um verso cantado por ela ficaria instantaneamente calmo que nem uma manhã de domingo (com a devida licença). e ela tem um jeito muito doce de se portar e se comunicar também.
terminei meu sorvete após ter aplaudido umas duas ou três - habitualmente agradecidas.
(ontem concluí que aplauso demais banaliza a situação. aplaudi só as favoritas.)
olhei para a plaquinha: 8 reais de couvert.
chequei o bolso: pouco mais de um mico leão dourado.
decidi ser justo ao menos uma vez na vida. até porque afinal de contas, pô, eu também tento ser músico, e acho uma puta sacanagem moral nunca ter pago para ouvir essa voz. logo essa.
entrei lá dentro e pedi uma caipirinha, mesa do fundo.
fiquei até o fim do show. quase tentei rebaixá-la a segunda posição, mas não deu certo e ela venceu com anos luz de vantagem para todas as outras juntas.
antes de partir ainda fiz o último ato mínimo de justiça que eu poderia para compensar a ela o bem que ela faz a mim. fui até o bar, onde ela estava acho que comendo algo.
falei, mais tímido do que criança quando fala com o papai noel no shopping dia 24:
- desculpa incomodar, mas você tem a voz mais linda que eu já ouvi na vida.
ela, pega de surpresa, me agradeceu um pouco encabulada - porém muito docemente e educadamente, para minha não-surpresa.
fui embora me sentindo uma pessoa 1000x melhor. se isso tiver feito a ela 1/1000 do bem que ela faz a mim, já podemos morrer pessoas felizes.
e olha que eu não tenho nada com ela, pessoa, andréa. nem sei se ela é casada ou tem namorado, e se você - esposo ou namorado dela - está lendo isso, por favor não me bata na próxima vez que eu for pra paraty. na real eu nem lembro direito do rosto dela, de tão rápida que foi a coisa. digamos que se ela matasse alguém e eu tivesse que reconhecer visualmente o assassino o caso seria arquivado sem solução.
mas é que tem gente que se apaixona por outra.
tem gente que se apaixona por uma cidade.
tem gente que se apaixona por carro e tem gente que se apaixona por bicho.
tem gente que se apaixona até por sapato.
pois é, vejam só, eu me apaixonei por uma voz.
18.11.04
----] foi bonzão o show no ballroom! não sei o que aconteceu, mas o som no palco estava bastante melhor do que da ultima vez que passamos por lá. na platéia, como sempre, não posso dizer o que se passou. aparentemente as pessoas gostaram, mas pessoalmente não deu pra saber. juro que quando eu for expulso do lascivalula relatarei isso mais fielmente para vocês (já que estarei na platéia jogando ovos e tomates nos remanescentes).
----] priscila, namorada do jamil, ganhou o prêmio de melhor fotógrafa do mundo com o seu trabalho no ballroom. um dia talvez mostre as fotos para voces. ela definitivamente está a frente do nosso tempo. foi assim com picasso, porque não será assim com ela?
----] hoje refleti como os casais andam tristes e terminando seus relacionamentos. a quantidade de gente que se identifica com "casal de velhos" é uma coisa horrorosa. poxa gente, vamos botar mais "canção de amor" na vida de vocês, eu hein!
----] não mais estarei nos tambores da "back to 90´s" nessa sexta. problemas de dificuldades com ensaios enrolaram as coisas, e fui remanejado para o mês que vem, 17/12 parece. as músicas serão as mesmas, que são muito legais por sinal! reservem na agenda.
----] acho que é isso aí. agora, para algo totalmente diferente.
----] priscila, namorada do jamil, ganhou o prêmio de melhor fotógrafa do mundo com o seu trabalho no ballroom. um dia talvez mostre as fotos para voces. ela definitivamente está a frente do nosso tempo. foi assim com picasso, porque não será assim com ela?
----] hoje refleti como os casais andam tristes e terminando seus relacionamentos. a quantidade de gente que se identifica com "casal de velhos" é uma coisa horrorosa. poxa gente, vamos botar mais "canção de amor" na vida de vocês, eu hein!
----] não mais estarei nos tambores da "back to 90´s" nessa sexta. problemas de dificuldades com ensaios enrolaram as coisas, e fui remanejado para o mês que vem, 17/12 parece. as músicas serão as mesmas, que são muito legais por sinal! reservem na agenda.
----] acho que é isso aí. agora, para algo totalmente diferente.
16.11.04
- ando meio desanimado por esses dias. minha vontade de estudar bateria está crescendo muito e na proporção inversa da minha vontade de tocar bateria. pode ser que seja a chuva. pode ser que seja o fim do ano. Se eu fosse o George, de "Seinfeld", diria que "o problema não é você, sou eu".
- nessa semana que passou fiz três musiquinhas. incrível. na verdade um rockzinho, um sambinha e uma poesiazinha solta. claro, jamil, felipe e guga não sabem disso. oops... parece que agora sabem....
- mas hoje tem show. e na verdade eu tenho mais de um nessa semana. hoje o lasciva toca no ballroom. parece que vai ser uma noite e tanto. sexta serei o baterista da banda que vai tocar na festa "back to 90's", no teatro odisséia, ao lado de mr. melvin, gordinho e develly. tocaremos algumas musicas legais que foram famosas nos anos 90. vai ser outra noite e tanto. e domingo eu e o jamil faremos uma participaçãozinha especial no show do abaixo de zero, no odisséia também, no evento que está sendo produzido pela chris ferlon. será mais uma noite e tanto. é, me parece que essa será uma semana e tanto.
- estava no orkut agora e vi o "about me" de uma amiga minha. o jeito dela escrever foi muito interessante. fiz um semelhante para mim. e é o fim do post. falowz!
- Meu nome significa martelo, assim disse o folheto do Mcdonalds, veja só. Nunca tive muitas dores físicas, mas essas são as que menos doem. Nunca senti câimbra, no entanto, e dizem que essa dói. Sou avoado. Esqueço de tudo. Quase fiz medicina. Mas aí fiz arquitetura. Tudo bem, são quase iguais. Nos dois casos, pode-se ver que a solução é tubo. Adoro comer. Adoro viajar. Adoro comer em viagem. De cada 10 fotos que tiro, apenas 1 presta. Mas essa 1 fica bem maneira mesmo. Tenho muitos amigos. Muitos mesmo. Daqueles com quem eu posso contar para qualquer coisa. Mas acho que são tantos que eu não consigo dar conta. Amo meu cão. Ele é mais inteligente que o meu irmão. Amo o Rio. Também amo Gramado e Nova Petrópolis. Odiava São Paulo. Hoje só não gosto. E definitivamente meu coração pertence à Paraty. Já tive cabelo de muitos jeitos. Hoje tenho dreads, mas não fumo maconha, não gosto de reggae e não sou negão. Hipocrisia pura. Sou muito calmo. Muito paciente e muito tolerante. Mas ao passar desses largos limites, sou muito puto e muito rancoroso. Choro ouvindo música. Nunca ouvi “Valsinha” do Chico sem chorar. Nunca. Odeio drama. Odeio novela. Mas se honesta, a tristeza é tão gostosa de ser curtida quanto a alegria. Não tenho ciúmes de ninguém. Nem de nada. Acho que sou um robô. Adoro dormir. Ontem dormi 10 horas. Acabei de acordar e já estou com sono de novo. Adoro música. De todos os tipos. Cada qual casa melhor com o seu momento. Mas sei bem do que eu realmente acho bom. Mestre Ambrósio me fez um dos melhores shows que já vi na vida. Abraçar é melhor que beijar. Amo café. E chá. Ambos sem açúcar. Amo cachaça. E vinho. E saquê. E pisco. E whisky. Todos sem gelo. Acho que estou virando alcoólatra. Mas pelo menos odeio cerveja. Adoro igualmente estar no meio de 1000 amigos e de estar completamente sozinho. Preciso de solidão para pensar nas minhas próprias maluquices. No máximo acompanhado do meu cão. Sou flamenguista até morrer. Ou até ele me matar, porque ta foda. Leio pouco mas escrevo muito. Deve ser por isso que fica tudo uma merda. Adoro quando me chamam de maluco. Sinto, ao mesmo tempo, orgulho de mim e pena do locutor. Desconfio de quem se diz muito normal.
- nessa semana que passou fiz três musiquinhas. incrível. na verdade um rockzinho, um sambinha e uma poesiazinha solta. claro, jamil, felipe e guga não sabem disso. oops... parece que agora sabem....
- mas hoje tem show. e na verdade eu tenho mais de um nessa semana. hoje o lasciva toca no ballroom. parece que vai ser uma noite e tanto. sexta serei o baterista da banda que vai tocar na festa "back to 90's", no teatro odisséia, ao lado de mr. melvin, gordinho e develly. tocaremos algumas musicas legais que foram famosas nos anos 90. vai ser outra noite e tanto. e domingo eu e o jamil faremos uma participaçãozinha especial no show do abaixo de zero, no odisséia também, no evento que está sendo produzido pela chris ferlon. será mais uma noite e tanto. é, me parece que essa será uma semana e tanto.
- estava no orkut agora e vi o "about me" de uma amiga minha. o jeito dela escrever foi muito interessante. fiz um semelhante para mim. e é o fim do post. falowz!
- Meu nome significa martelo, assim disse o folheto do Mcdonalds, veja só. Nunca tive muitas dores físicas, mas essas são as que menos doem. Nunca senti câimbra, no entanto, e dizem que essa dói. Sou avoado. Esqueço de tudo. Quase fiz medicina. Mas aí fiz arquitetura. Tudo bem, são quase iguais. Nos dois casos, pode-se ver que a solução é tubo. Adoro comer. Adoro viajar. Adoro comer em viagem. De cada 10 fotos que tiro, apenas 1 presta. Mas essa 1 fica bem maneira mesmo. Tenho muitos amigos. Muitos mesmo. Daqueles com quem eu posso contar para qualquer coisa. Mas acho que são tantos que eu não consigo dar conta. Amo meu cão. Ele é mais inteligente que o meu irmão. Amo o Rio. Também amo Gramado e Nova Petrópolis. Odiava São Paulo. Hoje só não gosto. E definitivamente meu coração pertence à Paraty. Já tive cabelo de muitos jeitos. Hoje tenho dreads, mas não fumo maconha, não gosto de reggae e não sou negão. Hipocrisia pura. Sou muito calmo. Muito paciente e muito tolerante. Mas ao passar desses largos limites, sou muito puto e muito rancoroso. Choro ouvindo música. Nunca ouvi “Valsinha” do Chico sem chorar. Nunca. Odeio drama. Odeio novela. Mas se honesta, a tristeza é tão gostosa de ser curtida quanto a alegria. Não tenho ciúmes de ninguém. Nem de nada. Acho que sou um robô. Adoro dormir. Ontem dormi 10 horas. Acabei de acordar e já estou com sono de novo. Adoro música. De todos os tipos. Cada qual casa melhor com o seu momento. Mas sei bem do que eu realmente acho bom. Mestre Ambrósio me fez um dos melhores shows que já vi na vida. Abraçar é melhor que beijar. Amo café. E chá. Ambos sem açúcar. Amo cachaça. E vinho. E saquê. E pisco. E whisky. Todos sem gelo. Acho que estou virando alcoólatra. Mas pelo menos odeio cerveja. Adoro igualmente estar no meio de 1000 amigos e de estar completamente sozinho. Preciso de solidão para pensar nas minhas próprias maluquices. No máximo acompanhado do meu cão. Sou flamenguista até morrer. Ou até ele me matar, porque ta foda. Leio pouco mas escrevo muito. Deve ser por isso que fica tudo uma merda. Adoro quando me chamam de maluco. Sinto, ao mesmo tempo, orgulho de mim e pena do locutor. Desconfio de quem se diz muito normal.
9.11.04
po ae...
eu ia escrever alguma coisa... mas po... mó preguiça.
num vô mais escrever não.
tchau.
eu ia escrever alguma coisa... mas po... mó preguiça.
num vô mais escrever não.
tchau.
6.11.04
"e o show de anteontem?" - perguntam vocês, mesmo sem eu ouvir ou ler nada de suas pessoas.
foram um dia e uma noite curiosos. no ratatá dos equipamentos, ficou o lasciva responsável por levar parte da bateria, já que a da CPI do ROCK estava meio mal das estantes. deveríamos sair do RJ aproximadamente umas 20:00, para chegar em Sao Gonçalo às 21:00 a tempo de passar som, arrumar tudo certinho e etc. afinal de contas o primeiro show estava marcado para as 23:00. (mas claro, sempre rola um pequeno atraso, que nesse caso foi salvador).
tudo combinado, amanhece então minha sexta-feira. tive que dormir tarde na quinta por conta de meus compromissos libidinosos (leia-se: lascivalula) e acordei umas 7:00 para uma pequena viagem à trabalho, numa ilha em angra. era um carro - que não era o meu - numa expedição de 4 pessoas, onde cada um tinha que fazer suas coisas. ficamos de voltar NO MAXIMO às 17:00, para dar tempo de eu chegar no RJ umas 19:00 ou 19:30 no maximo e sair para sangonça no máximo umas 20:30.
aconteceu o óbvio: não conseguimos sair antes das 17:00, era sexta à noite e ainda choveu - o que faz com que todos os carros do mundo reduzam suas velocidades à décima parte.
consegui sair de casa só umas 20:30 e num trânsito louco. até pegar todos meus comparsas já eram umas dez horas e dez telefonemas de aflição do sidney - do noitibó - que tava organizando o evento. a gente tava bolado mas não tinha nada que podíamos fazer.
e eu cansado a veras.
e o ar do meu carro pifou essa semana.
e estávamos ardendo nas chamas dos infernos de tão quente e abafado.
chegamos lá atrasadíssimos, mas ainda antes da primeira banda entrar, ainda bem.
nos desculpamos com mr. sidney, que pra variar era a simpatia em pessoa. deixamos nossas coisas lá e cumprimentamos os simpaticíssimos nimbus tb. e tinha uma menina que me era familiar que estava por perto mas eu não sabia de onde. enfim.
bateria armada, meus amigos começaram a conversar e beber, não necessariamente nessa ordem, de forma concomitante e repetida, também não necessariamente nessa ordem. e eu? louco de sono fui dormir no carro. por causa do calor insuportável não fui capaz, e voltei mais morimbundo do que nunca pra CPI cerca de meia hora depois. nisso a lascivalula já estava lascivalouca de tanto tomar cerveja, e eu tava lá cheio de sono.
a primeira banda que entrou era de são gonçalo e era um trio tipicamente punk. a voz do vocalista me lembrou um pouco a do vocalista do green day. as musicas eram legais, era uma pena só que não tinha muita gente assistindo de perto.
começa o nosso show em seguida. não ouço nada da guitarra base. pensei: ah, tranquilo, essas coisas as vezes acontecem mesmo. é uma merda, mas sei lá, fazer o que, sigamos que o importante é tocar!
foi um ótimo show para a banda. o guga, felipe e jamil tavam que nem pinto no lixo pulando pra lá e pra cá no palco. principalmente o jamil, que é o mais quieto no palco, tava que nem um instrutor de tango, caminhando de lá pra cá.
terminou o show e fiquei vendo os outros. a banda seguinte era de um ritmo que não sei dizer o que era direito. uma espécie de hardcore com linhas de baixo e vocais muito funkeados. achei legal. não gosto do estilo, mas gostei da banda. presença de palco muito boa dos integrantes, menos do guitarrista que ficava ao lado tocando muito distante mentalmente falando.
descubro quem é a menina que me parecia familiar. era a andréia, baterista do noitibó. conto para o guga, triunfante, a minha recém descoberta. ele, ainda que de forma amiga, me ridiculariza pela informação ridícula que acabava de dar a ele, e ainda complementou que o cara que estava ao lado dela era o alex, vocalista da mesma banda. bem, fazer o que, mereci.
começa o show do nimbus. muito bom o show do nimbus. ouço falar muito da banda pelo mário, baterista deles, mas ouço falar pouco de shows deles. ao ver com meus próprios olhos, constatei que eles são muito bons. performance de palco bastante acima da média em todos os 3 integrantes, e músicas divertidas. gostei mesmo.
termina o show e comento, acho que com o felipe, que ia dar um toque no sidney para que nos próximos tivesse um retornozinho a mais, que a guitarra não dava para ouvir. ai o felipe falou que ia ter, mas que esqueceram o amp e então ligaram a guitarra dele em linha. daí entendi tudo. sacanagem da banda que ficou de levar o amp e não levou, deixou todo mundo na mão. não sei quem foi, mas sacanagem mesmo. todas as outras bandas tinham apenas uma guitarra, ou seja, nós fomos os únicos que se fuderam quanto a isso. e depois da terceira banda tocar, ainda levaram o amp de guitarra - o único - embora. ou seja, os nimbus se fuderam também. isso é uma puta sacanagem, e faz com que o sidney esteja ainda mais próximo dos portões do céu quando morrer - assim como os nimbus - porque nem assim eles se abalaram e levaram tudo bem até o fim. queria ver se no show deles eu tirasse a bateria também, que fui eu quem levou, para ver se iam achar legal.
ao fim fomos embora, depois de quase quase quase bater num fusca imbecil que nos fechou bizarramente perto da chegada na ponte, chegamos bem em casa.
próxima parada: dia 16 no evento do PIB no ballroom, com mais diversas bandas muito legais do Rio!
foram um dia e uma noite curiosos. no ratatá dos equipamentos, ficou o lasciva responsável por levar parte da bateria, já que a da CPI do ROCK estava meio mal das estantes. deveríamos sair do RJ aproximadamente umas 20:00, para chegar em Sao Gonçalo às 21:00 a tempo de passar som, arrumar tudo certinho e etc. afinal de contas o primeiro show estava marcado para as 23:00. (mas claro, sempre rola um pequeno atraso, que nesse caso foi salvador).
tudo combinado, amanhece então minha sexta-feira. tive que dormir tarde na quinta por conta de meus compromissos libidinosos (leia-se: lascivalula) e acordei umas 7:00 para uma pequena viagem à trabalho, numa ilha em angra. era um carro - que não era o meu - numa expedição de 4 pessoas, onde cada um tinha que fazer suas coisas. ficamos de voltar NO MAXIMO às 17:00, para dar tempo de eu chegar no RJ umas 19:00 ou 19:30 no maximo e sair para sangonça no máximo umas 20:30.
aconteceu o óbvio: não conseguimos sair antes das 17:00, era sexta à noite e ainda choveu - o que faz com que todos os carros do mundo reduzam suas velocidades à décima parte.
consegui sair de casa só umas 20:30 e num trânsito louco. até pegar todos meus comparsas já eram umas dez horas e dez telefonemas de aflição do sidney - do noitibó - que tava organizando o evento. a gente tava bolado mas não tinha nada que podíamos fazer.
e eu cansado a veras.
e o ar do meu carro pifou essa semana.
e estávamos ardendo nas chamas dos infernos de tão quente e abafado.
chegamos lá atrasadíssimos, mas ainda antes da primeira banda entrar, ainda bem.
nos desculpamos com mr. sidney, que pra variar era a simpatia em pessoa. deixamos nossas coisas lá e cumprimentamos os simpaticíssimos nimbus tb. e tinha uma menina que me era familiar que estava por perto mas eu não sabia de onde. enfim.
bateria armada, meus amigos começaram a conversar e beber, não necessariamente nessa ordem, de forma concomitante e repetida, também não necessariamente nessa ordem. e eu? louco de sono fui dormir no carro. por causa do calor insuportável não fui capaz, e voltei mais morimbundo do que nunca pra CPI cerca de meia hora depois. nisso a lascivalula já estava lascivalouca de tanto tomar cerveja, e eu tava lá cheio de sono.
a primeira banda que entrou era de são gonçalo e era um trio tipicamente punk. a voz do vocalista me lembrou um pouco a do vocalista do green day. as musicas eram legais, era uma pena só que não tinha muita gente assistindo de perto.
começa o nosso show em seguida. não ouço nada da guitarra base. pensei: ah, tranquilo, essas coisas as vezes acontecem mesmo. é uma merda, mas sei lá, fazer o que, sigamos que o importante é tocar!
foi um ótimo show para a banda. o guga, felipe e jamil tavam que nem pinto no lixo pulando pra lá e pra cá no palco. principalmente o jamil, que é o mais quieto no palco, tava que nem um instrutor de tango, caminhando de lá pra cá.
terminou o show e fiquei vendo os outros. a banda seguinte era de um ritmo que não sei dizer o que era direito. uma espécie de hardcore com linhas de baixo e vocais muito funkeados. achei legal. não gosto do estilo, mas gostei da banda. presença de palco muito boa dos integrantes, menos do guitarrista que ficava ao lado tocando muito distante mentalmente falando.
descubro quem é a menina que me parecia familiar. era a andréia, baterista do noitibó. conto para o guga, triunfante, a minha recém descoberta. ele, ainda que de forma amiga, me ridiculariza pela informação ridícula que acabava de dar a ele, e ainda complementou que o cara que estava ao lado dela era o alex, vocalista da mesma banda. bem, fazer o que, mereci.
começa o show do nimbus. muito bom o show do nimbus. ouço falar muito da banda pelo mário, baterista deles, mas ouço falar pouco de shows deles. ao ver com meus próprios olhos, constatei que eles são muito bons. performance de palco bastante acima da média em todos os 3 integrantes, e músicas divertidas. gostei mesmo.
termina o show e comento, acho que com o felipe, que ia dar um toque no sidney para que nos próximos tivesse um retornozinho a mais, que a guitarra não dava para ouvir. ai o felipe falou que ia ter, mas que esqueceram o amp e então ligaram a guitarra dele em linha. daí entendi tudo. sacanagem da banda que ficou de levar o amp e não levou, deixou todo mundo na mão. não sei quem foi, mas sacanagem mesmo. todas as outras bandas tinham apenas uma guitarra, ou seja, nós fomos os únicos que se fuderam quanto a isso. e depois da terceira banda tocar, ainda levaram o amp de guitarra - o único - embora. ou seja, os nimbus se fuderam também. isso é uma puta sacanagem, e faz com que o sidney esteja ainda mais próximo dos portões do céu quando morrer - assim como os nimbus - porque nem assim eles se abalaram e levaram tudo bem até o fim. queria ver se no show deles eu tirasse a bateria também, que fui eu quem levou, para ver se iam achar legal.
ao fim fomos embora, depois de quase quase quase bater num fusca imbecil que nos fechou bizarramente perto da chegada na ponte, chegamos bem em casa.
próxima parada: dia 16 no evento do PIB no ballroom, com mais diversas bandas muito legais do Rio!