28.3.05

- mudei o layout da minha filha. todos os meus leitores (todos os 2 - sim! meus últimos posts cativaram tanto o público que agora dobrou o número de leitores do blog do lasciva lula, e já tem dois! você e um outro lá que eu não lembro agora) já estão carecas de saber que eu carrego em minhas costas uma estranha bateria colorida, com uma configuração e uma organização de tambores e pratos mais estranha ainda. o que nem você e nem ele sabem é que, como estamos prestes a entrar em estúdio para gravação do que será nosso próximo cd, minha cabeça está a mil para buscar os sons que eu quero e preciso para satisfazer minhas insanidades percursivas. então ao tocar as músicas na minha cabeça (minha cabeça é como um cd player, só que cabe muito mais músicas do que qualquer mp3 player) descobri o som que preciso: um bongô. não para tocar com as mãos que nem naquelas rodinhas de violão carregadas de maconha e legião urbana não! a idéia seria tocar com baquetas mesmo. o som é exatamente o que eu procuro. então para isso, precisei cavucar um espacito na minha esparramada colorida filhota, e consegui o espaço que precisava deslocando todos os toms da frente da bateria para a direita. agora falta só comprar os bongôs e ver no que dá essa minha viagem.

- sabem também os meus 2 leitores - e mais aquele que vinha aqui mas caiu na consciência de perceber quanta perda de tempo são essas linhas - como sou uma criatura avessa ao mundo das boates. bicho do mato que sou, prefiro me esconder na escuridão do meu quarto, num boteco sujo ou na fofura da minha cama a me arrumar para ir pra night em alguma casa da moda. ontem no entanto, me libertei dos meus preconceitos, vesti minha armadura social (composta basicamente de uma calça cargo tosca, que é o melhor que eu tenho) e saí em direção à Nuth em plena noite de domingo, desembestado e com um cafezinho na mão.

- fui lá para ver o show da banda "posto13", que é uma banda muito boa de amigos meus aqui do prédio onde moro. (apesar de não pisar nas partes comuns do supracitado há uns vários anos). foram três felicidades.

- a primeira foi o show do posto13 que está, como sempre, muito bom. apesar do estilo bem mais pop do que o do lasciva, eles estão com uma postura muito segura no palco, e com músicas muito boas, além de serem músicos bons pacas. não dô até o fim do ano para eles terem dominado a barra da tijuca inteira.

- a segunda foi rever meus amiguinhos que nao via ha tanto. todos os caras que eram menores do que eu hoje têm o dobro do meu tamanho e o triplo da minha mediocre massa muscular. me valho no entanto de ser um cara boa praça que não arruma confusões para sair então sempre ileso de qualquer problema. (por via das dúvidas, sou também um bom corredor).

- a terceira foi - pasmem - a nuth. puta lugar. na minha palavra de arquiteto e músico que sou, devo dizer que fiquei impressionado com ambos. lindo de morrer e com um som fodalhaço.

- quinta passada estive também no show do los hermanos, mais para ver abaixo de zero e grandprix do que para outra coisa. nao teve barba de fa de los hermanos que fizesse chover menos canivete naquela noite, diga-se de passagem.

- e cuidado com o padre maluco, pois sexta tem maratona!!!

22.3.05

o que sucede não tem relação direta com nada do lasciva lula, e sendo assim, nem deveria estar escrevendo isso. mas foi um fato muito engraçado, de várias coisas seguidas, então gostaria de compartilhar.

AVENTURA 1

em brasília, aproximadamente 16:15.
desço degrau por degrau até alcançar o piso térreo, com o pacote pardo na mão em direção à agência dos correios quase em frente à praça antero de quental. passo apertado, afinal de contas era meu horário de "almoço", e além da entrega eu deveria engolir alguma coisa antes de escalar os 15 pavimentos que distam ao escritório.

rua após rua, sem olhar muito para o lado, sem fitar nada nem ninguém, somente preocupado em não passar por debaixo das rodas de algum veículo transeunte.

sinal fechado.
do outro lado da zebra pintada, ouço um som, nos dias de hoje, quase tão comuns quanto um latido de cachorro.... porém desta vez em outra língua:

- hey, bob marley! hahahaha! - chegam as ondas americanizadas ao meu ouvido, em tom de deboche. na parada apressada percebo duas espécimes estranhas, que descreveria em dois branquelos loiros com chapéu de velho oeste. mas rápido do que meu cérebro pôde pensar, minha boca retrucou:

- what's up, cowboys? - em tom de "ai que saco".

meu cérebro ainda surpreso da atitude impensada da boca.
surpresos também os passageiros, pela expressão que fizeram. eis que então o mesmo que antes falara arrisca:

- wow! a brazilian who speaks portuguese! - em tom novamente de menosprezo e deboche.

enquanto o décimo milésimo de segundo passava e o cébebro já se encontrava que nem cego em tiroteio, as pernas já começaram a requisitar o movimento, o rosto foi gradativamente voltando à frente ao passo que a aceleração aumentava. indignada, a boca não se deu por satisfeita, e em pouco mais que 1 segundo após a manifestação norte-americana, sem consentimento de nenhuma outra parte do corpo, solta:

- wow! a north american who does think! - atonal total.

o cérebro, já de posse do comando, não permitiu que as pernas cessassem movimento nem que muito menos o rosto mudasse o sentido, enquanto que a boca, desobediente e isenta de qualquer relação com o cérebro - em velocidade mais rápida que o de qualquer perna - honrou a pessoa inteira.

até agora o cérebro não acredita no que sucedeu. já mandou a boca pra solitária, mas de que adianta, seus camaradas dedos fazem questão de colocar tudo on line.

AVENTURA 2

não fazia duas quadras e três bolações cerebrais que separaram a aventura anterior da entrada no amarelo edifício. casa cheia. pega senha. senta o rabo.

algumas pessoas impacientes esperando sua vez chegar, que nem o esperançoso checando os números da mega-sena. já consolado, parto para meu procedimento de rotina, e iniciou uma análise dos que me cercam, especulando os mínimos detalhes de suas vidas. havia muitos. na minha frente, um senhor que aparentava seguramente uns 60 anos, no mínimo. na outra ponta, um sujeito, talvez da minha idade, que seria uma versão do guga_bruno, porém muito mais branco, nerd, de óculos, cabelo longo, barba e uma camisa do punisher. (aquela preta com uma grande caveira no peito).

passa o tempo.
16:40 em são paulo.

um oficial da lei interna começa a indagar as pessoas para que forme um esquema paralelo de fila, para agilizar o que deveria estar encerrado às 17:00. diz ele:

- há alguém em preferencial?

checando meus movimentos, lembrando da minha idade, sem sucesso em ouvir uma batida vinda do meu inexistente útero e certo de que retardo mental não seria aceito, fiquei na minha. assim fizeram os outros.

só o punisher que olhou atento, mas ficou na dele.

o senhor:

- qual o critério para fila preferencial?

o segurança:

- se estiver grávida, for idoso ou deficiente físico.

o senhor - lembrando que ele aparentava no mínimo 60:

- ah não, então não me enquadro - e voltou aos seus próprios pensamentos.

nem deu tempo de eu me indignar com ele por não ter ido como "idoso" e o punisher se levanta, decidido, ao guichê. diz meia dúzia de duas ou três palavras, balança o seu "uniforme da justiça" e começa a ser atendido.

o senhor, perplexo, para o guarda:

- ei! mais idoso que ele eu sou!

observando tal cena surreal, entrei num ataque de riso do qual não me safei até voltar ao trabalho. punisher fez justiça ao seu ato e demorou mais de 10 minutos em seu atendimento. o senhor logo também foi chamado, e não questionou mais nada. o resto do público eu não sei. eu, parecia um louco pronto para tomar um tarja preta qualquer, enquanto o policial interino se perguntava porque será que aquele idiota de dreads ria sem parar. eu também.

AVENTURA 3

D605. era minha vez. fui ao encontro do guichê6, e entreguei aquele meu envelope bolha para cds. dentro, os sucessos do molusco devasso. o endereço, longe.

uma jovem até bonitinha me atende.

- boa tarde!
- oi! queria enviar por carta registrada por favor!

ela olha intrigada para o envelope, para mim, para mim, para o envelope, para mim de novo e manda:

- aqui dentro tem cd?
- tem! - disse, criminalmente honesto.
- então não posso enviar. precisa estar dentro de uma caixa.
- mas eu sempre envio dessa forma, ué! - disse, com tom de "ah... sacanagem...."
- mas não pode... só se for numa caixa.
- então tá.... - me dando por satisfeito e fazendo as contas de quanto será que daria.

3 segundos depois ela olha pra minha cara.
2 segundos depois ela pergunta:

- não quer mandar por sedex não? - tenta docemente me coagir.
- não quero não, obrigado! - em tom educadamente desanimado pelo evento anterior.

ela então pega uma caixa, monta. pega um selo do sedex e cola na caixa.
se assusta e diz a mim (por mais que parecesse estar dizendo à ela mesma:)

- ih! disse que não era sedex e botei a etiqueta, tem certeza que não quer?
- não quero não, brigadão! - sabendo que a conta daria mais do que eu poderia pagar na hora.
- poxa, olha que era pra ser hein... até a etiqueta veio... - puxou conversa brincalhona.

enquanto ela tirava a etiqueta eu resolvi a última cartada:

- e se eu dissesse que não tinha um cd?
- aí tudo bem, você poderia enviar!
- ah é? então não tem cd não! juro! JURO! - cinicamente cínico.
- !?!!? - ela, em sinuca de bico e dando tilt.

e o xeque mate:

- olha só, tá bom, eu admito, tem cd aí dentro. (frase ridiculamente desnecessaria). mas olha só, se eu dissesse que não tinha você nunca ia saber e eu poderia mandar, não é?
- é, mas se tivesse algum problema a responsabilidade seria nossa!
- mas se quiser eu assino um papel qualquer!
- !!?!? - bolada mas bem humorada
- olha, então vou falar de novo: não tem cd não! juro! pode trazer o raio-x! - me escangalhando de rir
- que cara de pau! - já vendo que o caso tava fora de controle - pelo menos você não disse que aí tinha um saco de feijão!

assino um papel, vou embora feliz e voilá! hoje ambos temos uma estória pra contar em casa.

nunca achei que fosse encontrar um funcionário desse tipo, sabe, tipo atendente de caixa ou funcionário público - que agisse racional e sensatamente. pra mim era tipo coelhinho da páscoa, mas hoje quebrei felizmente a cara. agora só falta encontrar um taxista que dirija bem, aí minha missão na terra estará cumprida.

21.3.05

taí.
o show de ontem foi meio esquisito, em sentidos bons e ruins ao mesmo tempo.
apesar do espaço apertado e do set pequenininho de bateria (que na verdade é um set comum para a maioria, mas não para o boçal megalomaníaco aqui) eu nao lembro de ter tocado tão solto e seguro assim desde o show de lançamento do clip no teatro odisséia. a platéia tava bem animada como usualmente tem estado nos últimos meses (continuem assim, gente!) e o som tava bem legal para mim ao menos.

o único problema é que ali do meio pro fim do show rolou uma sucessão de pequenas cagadas no palco (mal contato aqui, guitarra desafinada e correia caindo ali, amplificador ficando maluco acolá) que bangunçou um pouco o meio de campo. corrida caucus então, ficou muito ruim. o espaço do blog de um integrante de uma banda não é exatamente o lugar para divulgar coisas ruins dela mesma, mas sejamos honestos, ficou muito ruim MESMO. a execução ficou boa, mas os problemas rolavam no meio, deixando a gente de calças curtas e bigodes em pé. peço desculpas a quem foi, isso não é algo habitual. vai no próximo que a gente prova.

no mais foi tudo ótimo. pesssoas maravilhosas povoaram aquele lugar novamente, como das outras duas vezes quando estive lá. alguns que eu conhecia, alguns que não, alguns que eu acabara de conhecer, mas todos ótimos. agradecimentos novamente à Lilian Spektor e ao Radio77 pelo convite, e também ao Juan, o simpaticíssimo técnico de som da noite.




enquanto isso acontece a votação para o premio claro, que indicou a gente como candidato a banda revelação no cenário independente brasileiro. a concorrência tá braba, então pedimos a todos que curtem o nosso som para dar um pulo em www.premioclaro.com.br, gerar sua cédula digital de votação e assinalar "lasciva lula" na categoria revelação. vale lembrar que se você possui mais de um email, vote com todos eles que tá valendo!




na proxima semana devemos estar entrando em estúdio para ensaio e definição de arranjos definitivos das músicas que lançaremos no próximo cd. estamos querendo que seja um cd do tipo grandão, de várias músicas, mas vai levar um tempo e talvez nem fique pronto nesse ano ainda, já que a gente quer o negócio bem feito. a previsão é de inicio das gravações em maio.




que post sério esse, não?

14.3.05

Copacabana já é um lugar diferente. Fazer um show de rock num sebo, de graça, em Copacabana, foi muito inusitado. E fantástico. Fizemos um repertório de 13 músicas, tocamos 19 ou 20. Dentre livros e discos de vinil, amigos e desconhecidos entoavam as canções enquanto um coroa com um copo de cerveja na mão passava sorrindo e dançando. De repente, numa música mais agitada, nêgo começava a pular e eu me preocupava com as estantes: "Vão esbarrar... essas porras vão cair..." Na porta de entrada, duas mulheres manguaçadas com cara de forrozeiras dançavam com um cara grisalho que repetia a cada virada do Marcello: "Toca muito ele!" Os três dançarinos da porta ganharam um apelido de quem assistia ao(s) show(s): Trio Los Angeles. Ao fim de cada música, quando me virava para beber algo, via uma galera do lado de fora, vendo o show pela vitrine, com a banda e os equipamentos de costas: o som chegava ali? Meu amigo Bibiço da Barra deu a idéia:

– Vocês deveriam tocar virados para a rua, na vitrine, com um cartaz "For Sale"...

Entendido.

O Maurício, um dos donos do local (Baratos da Ribeiro), contou que uma velha encrencou com o som na semana anterior:

– Eu não consigo ver novela!

Ele retrucou que antes das dez tá valendo, velhinha, vem dançar, vem! Ao microfone, Maurício dedicava o show à Associação de Moradores de Copacabana, que foi em defesa da velha. Nisso, chega um negão parrudo de chapéu dizendo, revoltado, que para tocar guitarra tem que estudar, não é só pegar e sair tocando não, malandro. Ele era professor de guitarra da Escola de Música Villa-Lobos. Veja só, lá onde estudei... então tá, professor...

Show terminado, papo na calçada da Barata Ribeiro e a promessa do sebo continuar com os shows gratuitos depois de um tempo de descanso. Amigo, quando souber de show na Baratos da Ribeiro, vá!

12.3.05

ai.... quanto tempo sem ver a cara de vocês....
vamos lá:

- amanhã (ou hoje, sei lá, já são quase duas da manhã) tem show. o dia, pra não ter mal-entendido, é 12/03, sábado. será na baratos da ribeiro, vai ser o maior barato, e ainda por cima vai ser de graça. noitibó e lasciva lula. maiores infos no nosso site e fotolog!

- amanhã talvez o guga toque de guitarra nova.

- amanhã eu toco de bateria velha.

- set list em primeira mão (pelo menos primeira mao aqui nesse blog) do show do pipodelica no ruídos: (sim, descaradamente, roubei a folha do set list do chão do palco, bem tiete, bem viadinho mesmo.)

. intro
. mais
. por hábito?
. desculpe por não ser marco martins
. memória multicolor
. bla bla bla
. abre a porta
. meio sem fim
. experiência
. bandido
. a hora e a vez do cabelo crescer

- joguei na megasena 4a. tava super confiante. fui conferir os números. errei OS SEIS. como pode isso? devia ter um prêmio pra gente tão azarada assim.

- agora seção "respondendo aos comments:"

1- casal de velhos também não é a minha favorita, porque eu ainda sou muito novo. mas talvez com o tempo eu mude de idéia.

2- eu posso até ser o cara, mas sou baratinho, por qualquer 2 mariolas já tá levando.

3- não tem jeito. o contato com o universo2 e com os outros que hão por vir são inevitáveis. é tão inevitável quanto a guerra eminente entre máquinas e humanos. (prevista para a próxima década no máximo).

4- é verdade, o rock independente é uma briga por migalhas mesmo. ainda estou em busca do sentido da vida.

5- meu deus, fui chamado de gênio! chamem a ambulância! (ou pra mim ou pra lilian!)

6- jamil é meu ídolo. o motivo é oculto.

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