27.11.06
Dezembro chega e traz encontros marcados para rever amigos de grupos e épocas diferentes (portanto, vários encontros) e, na rebarba, traz sorteios de Amigo Oculto. Eu nunca tive dúvidas: sempre pedi CD de presente. Aquele disco que você namorou mas não comprou, que você não acha nas lojas que freqüenta, um lançamento ou aquele vinil que empenou e você sente falta da sensação de ouvi-lo (na verdade, você verá que a expectativa de voltar a ouvi-lo é melhor do que a própria audição do dito cujo).
Neste ano, pela primeira vez, me questionei se seria uma boa pedir CDs. Apesar de eu não ser um ás da internet (o único programa que usei para baixar música foi o Napster, há cerca de 5 anos), vários amigos baixam discos ou discografias inteiras e, sei, é mole-mole baixar e usar esses Emules da vida. Outra e mais encucante: um CD chega a R$40 (ou a preços falcatruas como R$39,90). Um especialista explicará a razão de cada centavo na cadeia produtiva da bolacha (com uma boa fatia para "marketing", com o asqueroso jabá incluído), mas é fácil perceber que a realidade agora é outra. Claro, há o encarte e tudo o que ele agrega (conceito de álbum, créditos, estética, prazer de ouvir o disco folheando e entrando no clima), mas me sinto, cada vez mais a cada dia, esfaqueado. Ou excluído e mais pobre – talvez seja isso. O mundo ouve música de graça enquanto eu alimento a sobrevida de uma indústria corrupta , falida e antiquada.
Não chego a conclusões e só aumento minha agonia. A questão é: o que fazer se eu ainda me satisfaço com a sensação de ouvir um CD com o encarte na mão, mas me incomodo em gastar R$39.9999999 para isso?
Como luz, música poderia ser um serviço. Você paga R$40 por mês, conecta um cabo, baixa a música ou o disco que quiser e tem acesso a hot sites com um visual bacana e, de quebra, entretenimentos interativos (fórum de discussão, jogos, simuladores, arquivos com todos os intrumentos gravados em canais separados e mesa de mixagem para você fazer suas versões e mash-ups, coletânea de críticas especializadas e a possibilidade de comentar essas críticas, vídeo-documentários com as gravações, clipes oficiais, a possibilidade de postar clipes caseiros feitos pelos fãs, sorteios de ingressos para shows, troca de fotos amadoras do artista, podcasts etc etc etc).
Em resumo e enfim, 010101110100100111, isto é, a indústria deveria investir no que mais atrai o consumidor hoje: informação, entretenimento e interação social através da internet.
Chego aqui me sentindo no meio de um tornado. Aí em cima deve haver incorreções, paradoxos, baboseiras, soluções e questionamentos pueris... Mas é isso mesmo.
Depois do "simulador de gente" Second Life, a vida inteira entrará na tela. O encontro com os amigos e a brincadeira de Amigo Oculto versará sobre digitalidades e a cada segundo um flash de máquina digital iluminará nosso sedentarismo.
E um dia o apocalipse digital virá.
Neste ano, pela primeira vez, me questionei se seria uma boa pedir CDs. Apesar de eu não ser um ás da internet (o único programa que usei para baixar música foi o Napster, há cerca de 5 anos), vários amigos baixam discos ou discografias inteiras e, sei, é mole-mole baixar e usar esses Emules da vida. Outra e mais encucante: um CD chega a R$40 (ou a preços falcatruas como R$39,90). Um especialista explicará a razão de cada centavo na cadeia produtiva da bolacha (com uma boa fatia para "marketing", com o asqueroso jabá incluído), mas é fácil perceber que a realidade agora é outra. Claro, há o encarte e tudo o que ele agrega (conceito de álbum, créditos, estética, prazer de ouvir o disco folheando e entrando no clima), mas me sinto, cada vez mais a cada dia, esfaqueado. Ou excluído e mais pobre – talvez seja isso. O mundo ouve música de graça enquanto eu alimento a sobrevida de uma indústria corrupta , falida e antiquada.
Não chego a conclusões e só aumento minha agonia. A questão é: o que fazer se eu ainda me satisfaço com a sensação de ouvir um CD com o encarte na mão, mas me incomodo em gastar R$39.9999999 para isso?
Como luz, música poderia ser um serviço. Você paga R$40 por mês, conecta um cabo, baixa a música ou o disco que quiser e tem acesso a hot sites com um visual bacana e, de quebra, entretenimentos interativos (fórum de discussão, jogos, simuladores, arquivos com todos os intrumentos gravados em canais separados e mesa de mixagem para você fazer suas versões e mash-ups, coletânea de críticas especializadas e a possibilidade de comentar essas críticas, vídeo-documentários com as gravações, clipes oficiais, a possibilidade de postar clipes caseiros feitos pelos fãs, sorteios de ingressos para shows, troca de fotos amadoras do artista, podcasts etc etc etc).
Em resumo e enfim, 010101110100100111, isto é, a indústria deveria investir no que mais atrai o consumidor hoje: informação, entretenimento e interação social através da internet.
Chego aqui me sentindo no meio de um tornado. Aí em cima deve haver incorreções, paradoxos, baboseiras, soluções e questionamentos pueris... Mas é isso mesmo.
Depois do "simulador de gente" Second Life, a vida inteira entrará na tela. O encontro com os amigos e a brincadeira de Amigo Oculto versará sobre digitalidades e a cada segundo um flash de máquina digital iluminará nosso sedentarismo.
E um dia o apocalipse digital virá.
25.11.06
"Tributo ao inédito" é um nome sensacional para uma coletânea de bandas novas. E a estrutura dos shows também é interessante, dividem-se duplas de bandas para se apresentar assim: Banda X, Banda X e Banda Y dividindo o palco numa canção, Banda Y.
Para fugirmos dessas incógnitas incômodas, no último dia 21/12, lançamento da quarta edição do Tributo, foi:
- Mc´s Hc / Dínamo - a música de interseção foi "Bom senso", da fase Racional do Tim Maia
- Habitantes / Noitibó - dividiram o palco em "Top Top", do disco despirocado "Jardim elétrico", dos Mutantes
- Lunar 4 / Stellabella - não tenho certeza, mas acho que foi "You really got me now", do Kinks
- Lasciva Lula / Kátia Dotto - tocamos "Fora de si", do disco "Ninguém", do Arnaldo Antunes
Cantar Arnaldo Antunes é catarse, e nessa música em especial dá vontade de jogar o corpo num canto, feito boneco de pano, e sair em disparada rumo a qualquer lugar.
Ontem foi o lançamento de "Qualquer", novo disco dele, aqui no Rio. Não fui, embora quisesse. Desde que o Arnaldo Antunes começou a carreira solo, fui aos shows de todos os discos. Espero que esse do "Qualquer" aconteça novamente no Rio, mesmo sendo um disco que evidencia sua faceta mais intimista, que explora a voz grave e as melodias suaves. Necas de percussão ou bateria.
Eu, amigos, prefiro o ex-titã do berro, da voz rasgada, de "Fora de si", de "Saia de mim", estes tributos à catarse.
Que venham outros shows da coletânea. Baixe tudo e saiba mais em TRIBUTOAOINEDITO.COM.
Para fugirmos dessas incógnitas incômodas, no último dia 21/12, lançamento da quarta edição do Tributo, foi:
- Mc´s Hc / Dínamo - a música de interseção foi "Bom senso", da fase Racional do Tim Maia
- Habitantes / Noitibó - dividiram o palco em "Top Top", do disco despirocado "Jardim elétrico", dos Mutantes
- Lunar 4 / Stellabella - não tenho certeza, mas acho que foi "You really got me now", do Kinks
- Lasciva Lula / Kátia Dotto - tocamos "Fora de si", do disco "Ninguém", do Arnaldo Antunes
Cantar Arnaldo Antunes é catarse, e nessa música em especial dá vontade de jogar o corpo num canto, feito boneco de pano, e sair em disparada rumo a qualquer lugar.
Ontem foi o lançamento de "Qualquer", novo disco dele, aqui no Rio. Não fui, embora quisesse. Desde que o Arnaldo Antunes começou a carreira solo, fui aos shows de todos os discos. Espero que esse do "Qualquer" aconteça novamente no Rio, mesmo sendo um disco que evidencia sua faceta mais intimista, que explora a voz grave e as melodias suaves. Necas de percussão ou bateria.
Eu, amigos, prefiro o ex-titã do berro, da voz rasgada, de "Fora de si", de "Saia de mim", estes tributos à catarse.
Que venham outros shows da coletânea. Baixe tudo e saiba mais em TRIBUTOAOINEDITO.COM.
17.11.06
Qual é a sua rotina de informação? Compra jornal, acessa O Dia Online todos os dias, lê um blog do Nominimo, ouve rádio, assina a Veja, assiste ao Jornal Nacional etc ou ignora tudo isso?
É engraçado... quando um grupo de pessoas tem as mesmas fontes de informação, uma roda de conversa fica hipoteticamente assim:
- Viu que o Ronaldinho Gaúcho ouve "I gotta move", do Frank Black, sempre que aquece para um jogo da Liga dos Campeões?
- Pode crer... e no Brasil ele não bota nada para ouvir, mas canta pagode.
- É, saiu na coluna do Márcio Guedes...
(...)
**********
- Viu que o Bush invadiu o Iraque porque o Play Sation dele estragou?
- ...e se o Saddam for enforcado ele zera o jogo!
- Porra, você também lê o Tutty Vasques?
(...)
**********
- Fiz uma música nova para a banda.
- Mostra aí.
(ôôôôaaaaaaaôôôô)
- Mas a introdução é "Mas que nada", do Jorge Ben, no ritmo de "Hard to explain", do Strokes!
***********
O Noel Gallagher, do Oasis, diz que em suas músicas tem muita coisa chupada escancaradamente dos Beatles, só que ninguém aponta diretamente "isso é aquilo". E ri com sarcasmo.
Assim se vai digerindo e cagando informação. Que é diferente de engolir e vomitar.
É engraçado... quando um grupo de pessoas tem as mesmas fontes de informação, uma roda de conversa fica hipoteticamente assim:
- Viu que o Ronaldinho Gaúcho ouve "I gotta move", do Frank Black, sempre que aquece para um jogo da Liga dos Campeões?
- Pode crer... e no Brasil ele não bota nada para ouvir, mas canta pagode.
- É, saiu na coluna do Márcio Guedes...
(...)
**********
- Viu que o Bush invadiu o Iraque porque o Play Sation dele estragou?
- ...e se o Saddam for enforcado ele zera o jogo!
- Porra, você também lê o Tutty Vasques?
(...)
**********
- Fiz uma música nova para a banda.
- Mostra aí.
(ôôôôaaaaaaaôôôô)
- Mas a introdução é "Mas que nada", do Jorge Ben, no ritmo de "Hard to explain", do Strokes!
***********
O Noel Gallagher, do Oasis, diz que em suas músicas tem muita coisa chupada escancaradamente dos Beatles, só que ninguém aponta diretamente "isso é aquilo". E ri com sarcasmo.
Assim se vai digerindo e cagando informação. Que é diferente de engolir e vomitar.
14.11.06
O primeiro disco que comprei – isto é, pegar o dinheiro e ir até a loja adquirir o que a expectativa transforma num objeto de prazer descomunal – foi "Cabeça Dinossauro", dos Titãs. O disco foi lançado em 1986. Eu tinha, portanto, 8 anos. Como assim?
– "Bichos escrotos vão se foder!"
– "Porrada nos caras que não fazem nada!"
– "Eu não gosto de padre, eu não gosto de madre, eu não gosto de frei!"
– "Estado violência, a lei que não é minha, a lei que eu não queria!"
– "Polícia para quem precisa de polícia!"
Além de esquisitices viscerais como "AA UU" , "A face do destruidor" e "Cabeça Dinossauro"; a poesia cíclica de "O quê?" e uma presença de palco assustadora, principalmente do Arnaldo Antunes – com suas pernadas no vazio, o cabelo rapado sobre a orelha e o olhar firme alucinado.
Uma criança de 8 anos no meio desse terremoto pira.
Na mesma levada, segura esse moleque: Sepulturinha
– "Bichos escrotos vão se foder!"
– "Porrada nos caras que não fazem nada!"
– "Eu não gosto de padre, eu não gosto de madre, eu não gosto de frei!"
– "Estado violência, a lei que não é minha, a lei que eu não queria!"
– "Polícia para quem precisa de polícia!"
Além de esquisitices viscerais como "AA UU" , "A face do destruidor" e "Cabeça Dinossauro"; a poesia cíclica de "O quê?" e uma presença de palco assustadora, principalmente do Arnaldo Antunes – com suas pernadas no vazio, o cabelo rapado sobre a orelha e o olhar firme alucinado.
Uma criança de 8 anos no meio desse terremoto pira.
Na mesma levada, segura esse moleque: Sepulturinha
7.11.06
aproximadamente 23h de uma noite choviscosa.
há poucas horas atrás, tocamos no fashion mall.
formato acústico, coisa diferente.
o jamil manteve suas raízes,
e segurou o negão durante o show,
como habitualmente.
felipe e guga trocaram seus filhotes elétricos
e respectivos pedais
por violões.
cordas de nylon e aço, respectivamente.
adoro que o felipe não tenha violão
de nylon e elétrico
em funcionamento.
porque ai ele pega o meu e dá aquela faxina boa.
troca corda, bateria, limpa a orelha, escova os dentes.
ele volta arrumado.
o meu set foi esquisito, pra lá de bagdá,
em homenagem à saddam.
bumbinho de 14", caixa, hihat e 2 splashs.
no lugar das baquetas, aquele punhado de varetas de bambu.
o lugar estava muito legal, espaço bacana,
caracteristico das coisas onde a pilastra,
de nossos caros bruno levinson e gapriel lupi,
se metem a fazer, e bem.
o show rolou bastante bem,
com um publico que mesclava nosso
com transeuntes do shopping.
----------------------------------
(se voce não gosta de preconceitos,
pula essa parte)
o curioso é que, apesar de tocar em shopping
ter um estigma ruim à minha imaginação,
- vêm logo à minha mente perturbada a cena
do sujeito na praça de alimentação,
tocando uma ou duas do jorge vercilo,
enquanto o público, sem dar muita pelota,
abocanha seu bigmac ou se lambuza de yakissoba-
no fashion mall a coisa é fina.
tem praça, mas não de alimentação.
não tem muvuca não, é um lance mega-chique.
pessoas sentadas em cadeiras especiais para o evento.
palco, luz, PA bacana, garçon distribuindo pro-seco.
não é bairrismo, e nem por eu ser
um mauricinho criado em são conrado,
mas o fashion mall, apesar de suas dondocas
e produtos vendidos que não saem por menos de R$ 200,
é coisa fina da melhor qualidade, e tocar lá não só soa
depreciativo
mas tem toda um pompa.
(preconceitofóbicos, voltem a partir daqui)
-------------------------------------------
as versões ficaram algumas bem parecidas com as gravadas.
outras ligeiramente diferentes.
basicamente perderam foi em peso,
em variações de timbres,
já que não haviam tons, crashs e pedais,
e chamaram atenção a execuções mais enxutas,
que valorizava mais a simplicidade.
algo de muito bacana é que muito ali foi improvisado.
muitas estruturas foram em aberto mesmo,
de propósito,
pra gente deixar fluir na hora.
e fluiu bem pacas.
o momento o-inferno-astral-do-marcello-fora-da-época-devida
aconteceu pouco antes do show.
dei uma atenção danada para o equipamento desta vez,
já que seria bem aconvencional.
perdi boas horas afinando o surdo como bumbo,
a fim de encontrar o som que eu achava mais bacana,
e achei, gostei bastante. bem ressonante.
(mas no entanto foi totalmente ignorado e vetado
pelos meus 3 amigos mais o técnico,
que estupraram o tambor,
arrancaram-lhe a pele,
e fizeram o que bem entenderam)
limpei os pratos, conferi as ferragens.
mas na hora da montagem, que foi por volta das 17:30h,
(show marcado para 19:30h),
me dei conta de algo terrível.
já não é novidade que meu carro fora furtado,
há umas duas semanas,
e com ele boa parte do meu equipamento.
entre ele, minha presilha do hihat,
que é uma pecinha que segura um prato,
para que ele entre na estante específica
e funcione com o pedal no prato invertido abaixo.
comprei a presilha nova, e usei nos ensaios,
numa boa.
mas nunca havia testado na minha estante.
teoricamente elas são iguais.
mas claro, claro que a minha tinha que ser diferente.
sai despreocupado às 18h para o barra-shopping,
para comprar e voltar até às 19:30.
tranquilo. essa presilha é uma peça comum,
tem em tudo que é canto.
mas aparentemente, NÃO na barra.
chego lá.
o vendedor mau-humorado diz que pra estante da pearl não tem.
sem saber o que fazer, olho em volta, e vejo uma no mostruário.
ele diz que pertence à bateria.
pergunto se não posso comprar a peça, até por mais caro,
e ele reporia depois,
e ele nega.
diz que só se eu comprasse uma estante inteira de hihat.
eu pergunto quanto é.
ele responde que pensando bem não tem pra vender também.
já um pouco preocupado, pico a mula para a music mall,
um pouco mais à frente, depois do infoshop.
lá é revenda da pearl, seria fácil.
lá ERA revenda da pearl, foi FODA.
cheguei pouco tempo antes da loja fechar.
os vendedores já de saco cheio.
pedi pela peça e ele disse que, pra pearl, não tinha.
vi outras peças, das que eu queria, no mostruário.
igualmente, disse que não poderia vender, só com a bateria inteira.
ri por dentro e perguntei ,
se ele não poderia me alugar com um cheque caução.
disse que daria um cheque caução do preço da bateria,
se precisasse.
e ele, sem a menor compaixão,
disse que não.
me sugeriu então que eu comprasse a estante.
meio tenso, perguntei quanto era.
250 pratas se fosse à vista.
90 segundos pensados e falei que tudo bem.
ja to sem grana, e ia me fuder mais ainda.
mas afinal de contas já era quase 19h e meu problema não se resolvia.
fui pagar, com visa-electron.
o sistema estava fora do ar.
não tinha folha de cheque, e, logo,
fiquei chupando o dedo.
(e, posteriormente,
me dei conta de que tambem nao poderia
dar um cheque caução, já que não tinha cheque
na hora).
totalmente desesperado,
fui à papelaria comprar uma fita isolante.
para fazer uma gambiarra.
não tinha. o sujeito me indicou a loja vizinha,
de material de construção.
lá foi onde encontrei a única alma simpática
e a fim de resolver problemas.
o sujeito,
cujo nome não perguntei e cuja loja não vi o nome,
tamanha a pressa,
sugeriu arrombar o buraco, alargando ele, com uma broca.
ele tinha a maquina de furar la e foi super solicito para usá-la.
o problema era que em 3 trechos a minha peça era muito fina
e a haste da estante não passava dentro.
ele furou com maestria, boa-vontade e cuidado.
- numa hora falou: estou com medo de arranhar a peça,
ela é tão bonita! e eu: cara, pode até lixar ela se quiser!-
resolveu aparentemente o problema.
dei uma grana e agradeci um horror.
voltei para o fashion mall.
cheguei no laço. tipo 19:40.
coloquei a peça na posição.... e não entrou!
um dos três trechos precisava ainda ser mais alargado.
não foi culpa do cara, claro, não tínhamos como testar.
o bruno (levinson) me olhou meio impaciente,
pelo aparente desleixo de testar somente na hora,
que em parte é até verdade,
mas na prática foi mesmo é um grande azar.
nunca imaginei que isso fosse acontecer.
tinha testado tudo antes, menos coisas óbvias,
como essa.
que ironicamente não se mostrou nada óbvia.
eu, por outro lado, já tinha abstraído.
certa vez, nesses percauços da vida,
tocando em um lugar muito ruim,
não havia a presilha e nem fita isolante para fazer gambiarras.
empilhei os pratos normalmente,
e toquei normalmente, controlando as nuances
pela maneira como atingia o prato com a baqueta.
a idéia era usar a mesma técnica hoje.
claro, não é a mesma coisa, mas fica até parecido,
nesses momentos.
o técnico de hoje, no entanto,
pensou a mesma idéia que eu tive na papelaria.
a qual ja tinha deixado pra la.
sacou sua fita isolante e fez a gambiarra.
realmente, foi a melhor solução.
não ficou perfeito, mas ficou perfeito.
se não há remédio,
remediado está.
mas pra evitar novas dores de cabeça,
amanhã vou na primeira farmácia que vir,
no centro, aquelas das boas,
e comprarei a presilha.
e,
porque nao,
umas aspirinas na loja de instrumentos musicais também.
mklz
há poucas horas atrás, tocamos no fashion mall.
formato acústico, coisa diferente.
o jamil manteve suas raízes,
e segurou o negão durante o show,
como habitualmente.
felipe e guga trocaram seus filhotes elétricos
e respectivos pedais
por violões.
cordas de nylon e aço, respectivamente.
adoro que o felipe não tenha violão
de nylon e elétrico
em funcionamento.
porque ai ele pega o meu e dá aquela faxina boa.
troca corda, bateria, limpa a orelha, escova os dentes.
ele volta arrumado.
o meu set foi esquisito, pra lá de bagdá,
em homenagem à saddam.
bumbinho de 14", caixa, hihat e 2 splashs.
no lugar das baquetas, aquele punhado de varetas de bambu.
o lugar estava muito legal, espaço bacana,
caracteristico das coisas onde a pilastra,
de nossos caros bruno levinson e gapriel lupi,
se metem a fazer, e bem.
o show rolou bastante bem,
com um publico que mesclava nosso
com transeuntes do shopping.
----------------------------------
(se voce não gosta de preconceitos,
pula essa parte)
o curioso é que, apesar de tocar em shopping
ter um estigma ruim à minha imaginação,
- vêm logo à minha mente perturbada a cena
do sujeito na praça de alimentação,
tocando uma ou duas do jorge vercilo,
enquanto o público, sem dar muita pelota,
abocanha seu bigmac ou se lambuza de yakissoba-
no fashion mall a coisa é fina.
tem praça, mas não de alimentação.
não tem muvuca não, é um lance mega-chique.
pessoas sentadas em cadeiras especiais para o evento.
palco, luz, PA bacana, garçon distribuindo pro-seco.
não é bairrismo, e nem por eu ser
um mauricinho criado em são conrado,
mas o fashion mall, apesar de suas dondocas
e produtos vendidos que não saem por menos de R$ 200,
é coisa fina da melhor qualidade, e tocar lá não só soa
depreciativo
mas tem toda um pompa.
(preconceitofóbicos, voltem a partir daqui)
-------------------------------------------
as versões ficaram algumas bem parecidas com as gravadas.
outras ligeiramente diferentes.
basicamente perderam foi em peso,
em variações de timbres,
já que não haviam tons, crashs e pedais,
e chamaram atenção a execuções mais enxutas,
que valorizava mais a simplicidade.
algo de muito bacana é que muito ali foi improvisado.
muitas estruturas foram em aberto mesmo,
de propósito,
pra gente deixar fluir na hora.
e fluiu bem pacas.
o momento o-inferno-astral-do-marcello-fora-da-época-devida
aconteceu pouco antes do show.
dei uma atenção danada para o equipamento desta vez,
já que seria bem aconvencional.
perdi boas horas afinando o surdo como bumbo,
a fim de encontrar o som que eu achava mais bacana,
e achei, gostei bastante. bem ressonante.
(mas no entanto foi totalmente ignorado e vetado
pelos meus 3 amigos mais o técnico,
que estupraram o tambor,
arrancaram-lhe a pele,
e fizeram o que bem entenderam)
limpei os pratos, conferi as ferragens.
mas na hora da montagem, que foi por volta das 17:30h,
(show marcado para 19:30h),
me dei conta de algo terrível.
já não é novidade que meu carro fora furtado,
há umas duas semanas,
e com ele boa parte do meu equipamento.
entre ele, minha presilha do hihat,
que é uma pecinha que segura um prato,
para que ele entre na estante específica
e funcione com o pedal no prato invertido abaixo.
comprei a presilha nova, e usei nos ensaios,
numa boa.
mas nunca havia testado na minha estante.
teoricamente elas são iguais.
mas claro, claro que a minha tinha que ser diferente.
sai despreocupado às 18h para o barra-shopping,
para comprar e voltar até às 19:30.
tranquilo. essa presilha é uma peça comum,
tem em tudo que é canto.
mas aparentemente, NÃO na barra.
chego lá.
o vendedor mau-humorado diz que pra estante da pearl não tem.
sem saber o que fazer, olho em volta, e vejo uma no mostruário.
ele diz que pertence à bateria.
pergunto se não posso comprar a peça, até por mais caro,
e ele reporia depois,
e ele nega.
diz que só se eu comprasse uma estante inteira de hihat.
eu pergunto quanto é.
ele responde que pensando bem não tem pra vender também.
já um pouco preocupado, pico a mula para a music mall,
um pouco mais à frente, depois do infoshop.
lá é revenda da pearl, seria fácil.
lá ERA revenda da pearl, foi FODA.
cheguei pouco tempo antes da loja fechar.
os vendedores já de saco cheio.
pedi pela peça e ele disse que, pra pearl, não tinha.
vi outras peças, das que eu queria, no mostruário.
igualmente, disse que não poderia vender, só com a bateria inteira.
ri por dentro e perguntei ,
se ele não poderia me alugar com um cheque caução.
disse que daria um cheque caução do preço da bateria,
se precisasse.
e ele, sem a menor compaixão,
disse que não.
me sugeriu então que eu comprasse a estante.
meio tenso, perguntei quanto era.
250 pratas se fosse à vista.
90 segundos pensados e falei que tudo bem.
ja to sem grana, e ia me fuder mais ainda.
mas afinal de contas já era quase 19h e meu problema não se resolvia.
fui pagar, com visa-electron.
o sistema estava fora do ar.
não tinha folha de cheque, e, logo,
fiquei chupando o dedo.
(e, posteriormente,
me dei conta de que tambem nao poderia
dar um cheque caução, já que não tinha cheque
na hora).
totalmente desesperado,
fui à papelaria comprar uma fita isolante.
para fazer uma gambiarra.
não tinha. o sujeito me indicou a loja vizinha,
de material de construção.
lá foi onde encontrei a única alma simpática
e a fim de resolver problemas.
o sujeito,
cujo nome não perguntei e cuja loja não vi o nome,
tamanha a pressa,
sugeriu arrombar o buraco, alargando ele, com uma broca.
ele tinha a maquina de furar la e foi super solicito para usá-la.
o problema era que em 3 trechos a minha peça era muito fina
e a haste da estante não passava dentro.
ele furou com maestria, boa-vontade e cuidado.
- numa hora falou: estou com medo de arranhar a peça,
ela é tão bonita! e eu: cara, pode até lixar ela se quiser!-
resolveu aparentemente o problema.
dei uma grana e agradeci um horror.
voltei para o fashion mall.
cheguei no laço. tipo 19:40.
coloquei a peça na posição.... e não entrou!
um dos três trechos precisava ainda ser mais alargado.
não foi culpa do cara, claro, não tínhamos como testar.
o bruno (levinson) me olhou meio impaciente,
pelo aparente desleixo de testar somente na hora,
que em parte é até verdade,
mas na prática foi mesmo é um grande azar.
nunca imaginei que isso fosse acontecer.
tinha testado tudo antes, menos coisas óbvias,
como essa.
que ironicamente não se mostrou nada óbvia.
eu, por outro lado, já tinha abstraído.
certa vez, nesses percauços da vida,
tocando em um lugar muito ruim,
não havia a presilha e nem fita isolante para fazer gambiarras.
empilhei os pratos normalmente,
e toquei normalmente, controlando as nuances
pela maneira como atingia o prato com a baqueta.
a idéia era usar a mesma técnica hoje.
claro, não é a mesma coisa, mas fica até parecido,
nesses momentos.
o técnico de hoje, no entanto,
pensou a mesma idéia que eu tive na papelaria.
a qual ja tinha deixado pra la.
sacou sua fita isolante e fez a gambiarra.
realmente, foi a melhor solução.
não ficou perfeito, mas ficou perfeito.
se não há remédio,
remediado está.
mas pra evitar novas dores de cabeça,
amanhã vou na primeira farmácia que vir,
no centro, aquelas das boas,
e comprarei a presilha.
e,
porque nao,
umas aspirinas na loja de instrumentos musicais também.
mklz
6.11.06
Como na Zona Sul beco é travessa, hoje tocaremos num Lounge, no Fashion Mall.
É aquilo, o dinamismo da língüa é uma beleza, mas uma Estátua da Liberdade enfiada nos miolos dói.
É aquilo, o dinamismo da língüa é uma beleza, mas uma Estátua da Liberdade enfiada nos miolos dói.
Hoje é o último ensaio antes do acústico que faremos no Fashion Mall nesta terça-feira, 07/11. A adaptação ao formato é um processo curioso. Jamil, nada, baixo idêntico, mas que aparece bem mais com a ausência das guitarras. Eu e guga com cordas de nylon, metendo o dedo em notas para encher uma ou outra parte, deixando o silêncio entrar em outros trechos, onde a parte elétrica preenchia. Instintivamente. O Marcello deixou bons reais no bolso de lojas que vendem baquetas. Comprou daquelas varetas. Quebrou duas no primeiro ensaio. Os arranjos de bateria são os que mais mudaram.
Sempre que somos convidados para fazer um acústico essa questão dos arranjos é discutida. Afinal, você prefere o acústico do Pearl Jam (em que eles descem a lenha, praticamente como tocam eletrificados) ou do Titãs (arranjos especiais para o formato)? Ou outro?
Sempre que somos convidados para fazer um acústico essa questão dos arranjos é discutida. Afinal, você prefere o acústico do Pearl Jam (em que eles descem a lenha, praticamente como tocam eletrificados) ou do Titãs (arranjos especiais para o formato)? Ou outro?