21.12.06
APRESENTAÇÃO A "SUBLIME MUNDO CRÂNIO"
por Tony Bellotto, guitarrista dos Titãs, escritor, apresentador do programa Afinando a Língua e marido da Malu Mader
Lasciva Lula é um enigma.
Não pelo nome intrigante, mas pela música que produz.
Um molusco libidinoso? Uma iguaria luxuriante? Um personagem brincalhão de desenho animado?
Tudo isso e um pouco mais. Muito mais: a banda mais original do rock brasileiro dos últimos tempos.
Sei do que falo. E do que ouço. Escuto algo diferente em Sublime Mundo Crânio. Não o Vulgar Mundo Cão do dia-a-dia, mas o mundo em que cada um vive dentro de sua própria cabeça. O único Mundo Real.
Esqueça melodias açucaradas e blá-blá-blá de amores adolescentes. As fáceis frágeis emoções. Nada disso. As cabeças de Felipe, guga_ bruno (o guitarrista descalço), Jamil e Marcello concebem um mundo em Frangalhos (não por acaso o título da primeira canção do cd), mas recheado de vigor e poesia. “Em mim não há mais canção”, cantam. Se não sobrevivermos, não será por falta de criatividade.
O estilo do Lasciva Lula é indefinível, mas muito familiar. Ouvidos sensíveis reconhecerão Talking Heads ainda no final dos anos 70. Pixies, Raul Seixas. Paul McCartney, Sonic Youth. Jovem Guarda, Mangue Beat. Ecos distantes e distorcidos de gritos guturais. Todas as bandas de rock do mundo.
O que mais? Poesia refinada? Grandes letras? Música sofisticada e pop até a medula? Ou até o crânio?
Música brasileira sem ranço nem vício. E um pouco mais. Muito mais: a banda mais original do rock brasileiro dos últimos tempos.
Sublime Mundo Crânio: Ópera rock? Aldous Huxley?
Nas palavras de Felipe, o letrista: “fascinante aberração, cortejo de horrores, a letra da canção desgovernada, grande show de atrações, um circo monstruoso, a letra da canção desgovernada”.
Lasciva Lula é um enigma.
É preciso desvendá-lo.
por Tony Bellotto, guitarrista dos Titãs, escritor, apresentador do programa Afinando a Língua e marido da Malu Mader
Lasciva Lula é um enigma.
Não pelo nome intrigante, mas pela música que produz.
Um molusco libidinoso? Uma iguaria luxuriante? Um personagem brincalhão de desenho animado?
Tudo isso e um pouco mais. Muito mais: a banda mais original do rock brasileiro dos últimos tempos.
Sei do que falo. E do que ouço. Escuto algo diferente em Sublime Mundo Crânio. Não o Vulgar Mundo Cão do dia-a-dia, mas o mundo em que cada um vive dentro de sua própria cabeça. O único Mundo Real.
Esqueça melodias açucaradas e blá-blá-blá de amores adolescentes. As fáceis frágeis emoções. Nada disso. As cabeças de Felipe, guga_ bruno (o guitarrista descalço), Jamil e Marcello concebem um mundo em Frangalhos (não por acaso o título da primeira canção do cd), mas recheado de vigor e poesia. “Em mim não há mais canção”, cantam. Se não sobrevivermos, não será por falta de criatividade.
O estilo do Lasciva Lula é indefinível, mas muito familiar. Ouvidos sensíveis reconhecerão Talking Heads ainda no final dos anos 70. Pixies, Raul Seixas. Paul McCartney, Sonic Youth. Jovem Guarda, Mangue Beat. Ecos distantes e distorcidos de gritos guturais. Todas as bandas de rock do mundo.
O que mais? Poesia refinada? Grandes letras? Música sofisticada e pop até a medula? Ou até o crânio?
Música brasileira sem ranço nem vício. E um pouco mais. Muito mais: a banda mais original do rock brasileiro dos últimos tempos.
Sublime Mundo Crânio: Ópera rock? Aldous Huxley?
Nas palavras de Felipe, o letrista: “fascinante aberração, cortejo de horrores, a letra da canção desgovernada, grande show de atrações, um circo monstruoso, a letra da canção desgovernada”.
Lasciva Lula é um enigma.
É preciso desvendá-lo.
17.12.06
na época da gravação, mixagem e bla bla blas,
e mesmo um pouco depois,
eu ouvia a evolucao desse album meio que todo dia,
mais de uma vez por dia.
mesmo quando ele finalizou eu continuei.
ai parei. nunca mais. mesmo.
já deve fazer uns dois meses que nao encosto.
hoje vi um comment no fotolog do grande mattoso,
do abaixo de zero,
(alias esse comments do blog ta quebrado, repararam?)
onde ele elogiava bastante a capa e o preço,
e brincava dizendo que "agora só falta ver o conteúdo".
daí pensei:
- quer saber? nem lembro. vou ouvir de novo.
ouvi.
e quer saber? tá foda mesmo.
=)
mklz
e mesmo um pouco depois,
eu ouvia a evolucao desse album meio que todo dia,
mais de uma vez por dia.
mesmo quando ele finalizou eu continuei.
ai parei. nunca mais. mesmo.
já deve fazer uns dois meses que nao encosto.
hoje vi um comment no fotolog do grande mattoso,
do abaixo de zero,
(alias esse comments do blog ta quebrado, repararam?)
onde ele elogiava bastante a capa e o preço,
e brincava dizendo que "agora só falta ver o conteúdo".
daí pensei:
- quer saber? nem lembro. vou ouvir de novo.
ouvi.
e quer saber? tá foda mesmo.
=)
mklz
14.12.06
Em um verso do refrão de "Celofane", última faixa do novo CD, o coro entoa: "É festa no sublime mundo crânio!" Daí saiu o nome, taí a cara da criança (de autoria do Rafael Saraiva - vulgo FFT, gente da Necas):

São 12 músicas inéditas gravadas entre setembro de 2005 e meados de 2006. Saiba como aproveitar o desconto especial de pré-venda e ainda receber o CD em casa.
O Tony Bellotto, guitarrista dos Titãs, escreveu o release do disco. Até semana que vem, coloco o texto na íntegra por aqui.

São 12 músicas inéditas gravadas entre setembro de 2005 e meados de 2006. Saiba como aproveitar o desconto especial de pré-venda e ainda receber o CD em casa.
O Tony Bellotto, guitarrista dos Titãs, escreveu o release do disco. Até semana que vem, coloco o texto na íntegra por aqui.
13.12.06
Amanhã, depois de muito tempo, este blog exibirá uma imagem: a capa do nosso novo CD, "Sublime mundo crânio".
Desde 2000, quando lançamos a primeira demo, o ritual se repete: após definirmos as músicas do disco, nos reunimos com o Rafael Saraiva, mais conhecido como Fafito (FFT), expomos a idéia daquele conjunto de músicas, do título do CD, e ele faz toda a parte gráfica. Foi assim com "Lasciva Lula" (2000), "1a Edição" (2002), "Óleo de Saliva (2003) e agora.
A única capa que exigiu uma produção externa foi a primeira. Concebemos a idéia de uma criança segurando um aquário numa praia e reunimos alguns amigos para produzir a foto. Lugar escolhido: Praia Grande, Arraial do Cabo. As tarefas árduas: escolher a criança e conseguir os peixes. Fomos ao jardim de infância do Instituto Santa Rosa, onde estudamos, e ficamos observando a criançada brincar. Assim que olhei, apontei os irmãos Carol e Ique (este com um cabelo à la roqueiro inglês, daqueles cortados a cuia). Para nossa sorte, a mãe deles topou. E ainda moravam em Arraial, perto da praia. Achávamos que a parte dos peixes seria mais complicada. Sem dinheiro para comprar, a solução foi óbvia: pescar no canal do Itajuru. Assim foi feito. Eu, Chico (o primeiro baixista e criador do nome da banda) e Felipe da Gamboa pescávamos. Flavinha e Fernanda Passarelli (fotógrafa) auxiliavam. As iscas funcionaram e os peixes foram para um grande isopor, no porta-malas do carro. Assim, partimos para Arraial. Enquanto a Fernanda batia as fotos e o Chico suava para dirigir nossos modelos, o resto se divertia com os moleques, duas figuraças. Depois do lançamento da fitinha, teve gente pedindo para "transformar o moleque da capa em bicho de pelúcia".
É isso. Amanhã, é noz.
Desde 2000, quando lançamos a primeira demo, o ritual se repete: após definirmos as músicas do disco, nos reunimos com o Rafael Saraiva, mais conhecido como Fafito (FFT), expomos a idéia daquele conjunto de músicas, do título do CD, e ele faz toda a parte gráfica. Foi assim com "Lasciva Lula" (2000), "1a Edição" (2002), "Óleo de Saliva (2003) e agora.
A única capa que exigiu uma produção externa foi a primeira. Concebemos a idéia de uma criança segurando um aquário numa praia e reunimos alguns amigos para produzir a foto. Lugar escolhido: Praia Grande, Arraial do Cabo. As tarefas árduas: escolher a criança e conseguir os peixes. Fomos ao jardim de infância do Instituto Santa Rosa, onde estudamos, e ficamos observando a criançada brincar. Assim que olhei, apontei os irmãos Carol e Ique (este com um cabelo à la roqueiro inglês, daqueles cortados a cuia). Para nossa sorte, a mãe deles topou. E ainda moravam em Arraial, perto da praia. Achávamos que a parte dos peixes seria mais complicada. Sem dinheiro para comprar, a solução foi óbvia: pescar no canal do Itajuru. Assim foi feito. Eu, Chico (o primeiro baixista e criador do nome da banda) e Felipe da Gamboa pescávamos. Flavinha e Fernanda Passarelli (fotógrafa) auxiliavam. As iscas funcionaram e os peixes foram para um grande isopor, no porta-malas do carro. Assim, partimos para Arraial. Enquanto a Fernanda batia as fotos e o Chico suava para dirigir nossos modelos, o resto se divertia com os moleques, duas figuraças. Depois do lançamento da fitinha, teve gente pedindo para "transformar o moleque da capa em bicho de pelúcia".
É isso. Amanhã, é noz.
8.12.06
o assunto aqui abaixo, do felipe, me faz pensar noutros vários.
não que schuê também não tenha razão, é simplesmente um ponto complementar.
ainda parte de fora da banda, assim como giba_bruno,
no palco não achava o lasciva lula uma brastemp, não.
não que hoje seja, mas creio que pelo menos já somos uma cônsul!
na época, a lula era genérica ao vivo: pouca ou quase nenhuma interação com o público.
pouco ou quase nenhum relaxamento no momento das apresentações.
também não atribuo a isso uma ineficiência da formação.
a questão principal é que, com a nova formação,
e banda toda fincada mais próxima ao pão de açúcar,
mais perspectivas foram surgindo, mais shows foram pintando, e, assim,
mais fluência os novos integrantes foram pegando, se conhecendo musicalmente,
e se expressando melhor no palco.
ainda temos muito aí o que aprender, nisso.
fazemos alguns shows bastante ruins, e outros modéstia a parte, fantásticos.
ná média geral, acho que dá pra passar.
colando, mas dá.
esse universo de vales e cristas showzais só é possível com esse comportamento,
de deixar uma parcela para a hora mesmo, e ver no que dá.
vejo alguns shows excepcionais de vez em quando, de músicos muito bons,
mas que se você vir 10 shows vai perceber que são 10 shows iguais.
o set list é igual, a ordem é igual, cada detalhe é igual. jogam na segurança.
esquema 10-0-0.
isso tem algumas vantagens, apesar.
num esquema de turnê então, onde você passa por vários lugares uma vez apenas,
consegue-se criar um esquema de show tão amarrado
que é possível interagir com diversos fatores extras.
tipo videos, luzes, inserções. está tudo amarrado, "tá tudo dominado".
já vi uma amiga, e olha que entendida de shows e tal,
um dia me dizer que um show de uma banda que vimos foi meio ruim,
porque apesar de ter sido todo certinho, o baterista errou um trecho,
quando foi tentar dar uma ousada a mais.
compreendo as vantagens do show amarrado.
fui ao show do rush no maracanã e fiquei babando,
mesmo na certeza de que cada vírgula era exaustivamente ensaiada.
show de samplers, luzes, videos, musicas, tudo linkado.
no entanto, devo tentar voltar ao que realmente acredito.
odeio tudo amarradinho. é frequente em um ensaio ou show,
que o guga, jamil ou felipe critiquem ou elogiem uma passagem
que eu fiz durante uma música, e eu, honestamente não fazer a menor idéia,
simplesmente não lembrar mais, saiu na hora, senti na hora, e morreu ali.
dizem que isso é coisa "do momento".
referenciam ao jimmy page, ao gilmour,
mas isso tudo, na musica popular, brotou no jazz.
------ interlúdio
é impressionante como, quando se ouve ou se lê a palavra "jazz",
torce-se o nariz, acham que é assunto de "cabeçudo",
e imediatamente se imagina uma cena de meia duzia de sujeitos virtuosistas,
destilando toda a sua técnica em seus instrumentos, sem aparente sentido.
esquece-se que isso não obrigatoriamente tem a ver com jazz.
o jazz é, em sua maior essência, uma música em que você sente ao tocar.
uma comunicação de instrumentos, que se complementam,
baseado justamente no "momento".
não tem absolutamente nada a ver com técnica,
que inclusive tenho limitadíssima,
e faço o que posso dentro do que posso.
tem a ver com música, isso sim.
---- continuando.
um trecho, numa música de jazz, nunca é tocado exatamente da mesma forma.
um solo então, nem pensar.
em geral, cria-se uma estrutura super básica, se apresenta um tema,
uma ordem de quem sola quando, e finaliza-se com o tema novamente.
só que nada mais é combinado. o cara começa a solar mas a duração não é combinada.
tampouco a transição para o próximo instrumento, ou do último para o fim da música.
nem o que cada outro músico, acompanhante, fará,
porque isso será um resultado do que ele achar que cabe melhor durante o solo,
que é não-combinado. ou seja, tudo pode acontecer.
quem já ouviu uma gravaçao completa de uma "session" de jazz,
e vê três ou quatro versões da mesma música,
da qual se aproveitou uma apenas para o "album lançado",
e compara elas entre si, vendo como são diferentes,
sabe do que eu to falando.
(quem não ouviu, recomendo sessions do charlie parker!)
mas com isso eu não nego a música "combinadinha".
a música clássica por exemplo é linda e fantástica.
e há pouquíssimo ou nenhum momento de improviso.
ela expressa sensações como nenhuma outra, a mim pelo menos.
os descendentes do rock/pop em geral tem estruturas muito fechadas.
um determinado trecho é treinado à axaustão a fim de chegar num ponto x.
casar isso com aquilo, abaixar aqui quando aumenta ali.
dá pra pegar a régua e medir tudo, milimetricamente.
o que é tão notável por exemplo no jeito do jimmy page tocar?
o jimmy page que foi o guitarrista de uma das maiores bandas de rock do mundo,
e que ainda sim possuía um estilo totalmente atrelado ao blues.
e mesclava o soco na cara do rock com o flerte ao passeio e dança do jazz?
hoje, majoritariamente, eu sou um músico de rock/pop.
ouso, por outro lado, trazer a sardinha para o canto que me atrai.
acho que temos que subir no palco e ao mesmo tempo fazermos o show
mais enérgico que pudermos, sem perder o prazer no palco,
e ainda tentando fugir das bases pré-amarradas sempre que der.
pode ser que fique feio.
pode ser que fique genial.
mas, pra mim, é o "pode ser" que é a beleza do lance.
seja rock ou seja jazz,
ou seja mambo ou bossa nova,
seja o que for,
música é uma linguagem.
tocar ao vivo é uma conversa.
e pra mim conversa engessada é conversa de botas batidas.
mklz
não que schuê também não tenha razão, é simplesmente um ponto complementar.
ainda parte de fora da banda, assim como giba_bruno,
no palco não achava o lasciva lula uma brastemp, não.
não que hoje seja, mas creio que pelo menos já somos uma cônsul!
na época, a lula era genérica ao vivo: pouca ou quase nenhuma interação com o público.
pouco ou quase nenhum relaxamento no momento das apresentações.
também não atribuo a isso uma ineficiência da formação.
a questão principal é que, com a nova formação,
e banda toda fincada mais próxima ao pão de açúcar,
mais perspectivas foram surgindo, mais shows foram pintando, e, assim,
mais fluência os novos integrantes foram pegando, se conhecendo musicalmente,
e se expressando melhor no palco.
ainda temos muito aí o que aprender, nisso.
fazemos alguns shows bastante ruins, e outros modéstia a parte, fantásticos.
ná média geral, acho que dá pra passar.
colando, mas dá.
esse universo de vales e cristas showzais só é possível com esse comportamento,
de deixar uma parcela para a hora mesmo, e ver no que dá.
vejo alguns shows excepcionais de vez em quando, de músicos muito bons,
mas que se você vir 10 shows vai perceber que são 10 shows iguais.
o set list é igual, a ordem é igual, cada detalhe é igual. jogam na segurança.
esquema 10-0-0.
isso tem algumas vantagens, apesar.
num esquema de turnê então, onde você passa por vários lugares uma vez apenas,
consegue-se criar um esquema de show tão amarrado
que é possível interagir com diversos fatores extras.
tipo videos, luzes, inserções. está tudo amarrado, "tá tudo dominado".
já vi uma amiga, e olha que entendida de shows e tal,
um dia me dizer que um show de uma banda que vimos foi meio ruim,
porque apesar de ter sido todo certinho, o baterista errou um trecho,
quando foi tentar dar uma ousada a mais.
compreendo as vantagens do show amarrado.
fui ao show do rush no maracanã e fiquei babando,
mesmo na certeza de que cada vírgula era exaustivamente ensaiada.
show de samplers, luzes, videos, musicas, tudo linkado.
no entanto, devo tentar voltar ao que realmente acredito.
odeio tudo amarradinho. é frequente em um ensaio ou show,
que o guga, jamil ou felipe critiquem ou elogiem uma passagem
que eu fiz durante uma música, e eu, honestamente não fazer a menor idéia,
simplesmente não lembrar mais, saiu na hora, senti na hora, e morreu ali.
dizem que isso é coisa "do momento".
referenciam ao jimmy page, ao gilmour,
mas isso tudo, na musica popular, brotou no jazz.
------ interlúdio
é impressionante como, quando se ouve ou se lê a palavra "jazz",
torce-se o nariz, acham que é assunto de "cabeçudo",
e imediatamente se imagina uma cena de meia duzia de sujeitos virtuosistas,
destilando toda a sua técnica em seus instrumentos, sem aparente sentido.
esquece-se que isso não obrigatoriamente tem a ver com jazz.
o jazz é, em sua maior essência, uma música em que você sente ao tocar.
uma comunicação de instrumentos, que se complementam,
baseado justamente no "momento".
não tem absolutamente nada a ver com técnica,
que inclusive tenho limitadíssima,
e faço o que posso dentro do que posso.
tem a ver com música, isso sim.
---- continuando.
um trecho, numa música de jazz, nunca é tocado exatamente da mesma forma.
um solo então, nem pensar.
em geral, cria-se uma estrutura super básica, se apresenta um tema,
uma ordem de quem sola quando, e finaliza-se com o tema novamente.
só que nada mais é combinado. o cara começa a solar mas a duração não é combinada.
tampouco a transição para o próximo instrumento, ou do último para o fim da música.
nem o que cada outro músico, acompanhante, fará,
porque isso será um resultado do que ele achar que cabe melhor durante o solo,
que é não-combinado. ou seja, tudo pode acontecer.
quem já ouviu uma gravaçao completa de uma "session" de jazz,
e vê três ou quatro versões da mesma música,
da qual se aproveitou uma apenas para o "album lançado",
e compara elas entre si, vendo como são diferentes,
sabe do que eu to falando.
(quem não ouviu, recomendo sessions do charlie parker!)
mas com isso eu não nego a música "combinadinha".
a música clássica por exemplo é linda e fantástica.
e há pouquíssimo ou nenhum momento de improviso.
ela expressa sensações como nenhuma outra, a mim pelo menos.
os descendentes do rock/pop em geral tem estruturas muito fechadas.
um determinado trecho é treinado à axaustão a fim de chegar num ponto x.
casar isso com aquilo, abaixar aqui quando aumenta ali.
dá pra pegar a régua e medir tudo, milimetricamente.
o que é tão notável por exemplo no jeito do jimmy page tocar?
o jimmy page que foi o guitarrista de uma das maiores bandas de rock do mundo,
e que ainda sim possuía um estilo totalmente atrelado ao blues.
e mesclava o soco na cara do rock com o flerte ao passeio e dança do jazz?
hoje, majoritariamente, eu sou um músico de rock/pop.
ouso, por outro lado, trazer a sardinha para o canto que me atrai.
acho que temos que subir no palco e ao mesmo tempo fazermos o show
mais enérgico que pudermos, sem perder o prazer no palco,
e ainda tentando fugir das bases pré-amarradas sempre que der.
pode ser que fique feio.
pode ser que fique genial.
mas, pra mim, é o "pode ser" que é a beleza do lance.
seja rock ou seja jazz,
ou seja mambo ou bossa nova,
seja o que for,
música é uma linguagem.
tocar ao vivo é uma conversa.
e pra mim conversa engessada é conversa de botas batidas.
mklz
Quando entrou no Lasciva Lula, em fevereiro de 2003, guga_bruno, o guitarrista descalço – como dizem por aí – mandou na lata:
– Vocês são muito "duros" nos shows, tem que deixar fluir, valorizar o momento, curtir fazer aquilo.
Enfim, não lembro das palavras, mas era algo destacando a magia do acaso. Amante que é de Jimmy Page, o ótimo guitarrista do Led Zeppelin (e que se você reparar bem nas gravações ao vivo, errava que era uma beleza), guga tentava deixar todo mundo mais solto no palco e no próprio estúdio de ensaio e de gravações.
Corta. O trecho e a declaração abaixo, sobre os reis da meticulosidade, me impressionaram. Goza, guga_bruno:
(...)"Os solos de guitarra foram todos improvisados", conta Alan Parsons. "Dave costumava tocar em volumes ensurdecedores. (...) Eu só usava um microfone, a uns 30cm de distância." Gilmour acreditava piamente – e continua a crer – na magia do acaso na invenção espontânea: "É só tocar o que sente e ouvir no que resultou", refletiu ele depois, "e geralmente é a primeira tomada que sai melhor."
As palavras acima estão na página 126 de "The Dark Side of the Moon – Os bastidores da obra-prima do Pink Floyd", de John Harris, que a Jorge Zahar Editor acaba de pôr nas livrarias. O livro é ótimo. Tão bom quanto "Paz, amor e Sgt. Peppers", que George Martin escreveu sobre a produção do álbum dos Beatles (alô, guga, vai me devolver algum dia?). Certo, você terá que suportar o insistente erro de identificação nas fotos, confundindo Nick Mason com Rick Wright, e os poucos erros de concordância e ortografia (esses não chegam a irritar), mas vale muitíssimo. A análise do contexto que inspirou musicalmente a banda, além das letras de Roger Waters, é muito bem feita.
John Harris parte da formação da banda, ainda com Syd Barrett, para chegar às gravações e ao impacto que The Dark Side of the Moon causou nos shows. Por isso, durante a leitura, estou tirando um a um os discos da estante e curtindo o momento.
A boa é pedir de Amigo Oculto.
– Vocês são muito "duros" nos shows, tem que deixar fluir, valorizar o momento, curtir fazer aquilo.
Enfim, não lembro das palavras, mas era algo destacando a magia do acaso. Amante que é de Jimmy Page, o ótimo guitarrista do Led Zeppelin (e que se você reparar bem nas gravações ao vivo, errava que era uma beleza), guga tentava deixar todo mundo mais solto no palco e no próprio estúdio de ensaio e de gravações.
Corta. O trecho e a declaração abaixo, sobre os reis da meticulosidade, me impressionaram. Goza, guga_bruno:
(...)"Os solos de guitarra foram todos improvisados", conta Alan Parsons. "Dave costumava tocar em volumes ensurdecedores. (...) Eu só usava um microfone, a uns 30cm de distância." Gilmour acreditava piamente – e continua a crer – na magia do acaso na invenção espontânea: "É só tocar o que sente e ouvir no que resultou", refletiu ele depois, "e geralmente é a primeira tomada que sai melhor."
As palavras acima estão na página 126 de "The Dark Side of the Moon – Os bastidores da obra-prima do Pink Floyd", de John Harris, que a Jorge Zahar Editor acaba de pôr nas livrarias. O livro é ótimo. Tão bom quanto "Paz, amor e Sgt. Peppers", que George Martin escreveu sobre a produção do álbum dos Beatles (alô, guga, vai me devolver algum dia?). Certo, você terá que suportar o insistente erro de identificação nas fotos, confundindo Nick Mason com Rick Wright, e os poucos erros de concordância e ortografia (esses não chegam a irritar), mas vale muitíssimo. A análise do contexto que inspirou musicalmente a banda, além das letras de Roger Waters, é muito bem feita.
John Harris parte da formação da banda, ainda com Syd Barrett, para chegar às gravações e ao impacto que The Dark Side of the Moon causou nos shows. Por isso, durante a leitura, estou tirando um a um os discos da estante e curtindo o momento.
A boa é pedir de Amigo Oculto.
7.12.06
A MTV cansou de tomar rasteira do You Tube. Clipes novos podem ser vistos na rede antes da estréia televisiva. Qualquer clipe pode ser visto a qualquer momento numa busca rápida na internet. Agora, se antes a MTV endossava um videoclipe ao colocá-lo em sua programação, como será no caos digital? Além do novo site da própria MTV, acho que os blogs de jornalistas musicais e as seções especializadas dos portais vão filtrar essa informação, vão apontar as tendências. Tudo cada vez mais fragmentado.
Music Television, o nome, foi para o (cyber)espaço. Hoje, o www tem mais música que o canal.
Music Television, o nome, foi para o (cyber)espaço. Hoje, o www tem mais música que o canal.
6.12.06
deve ser velho.
mais do que o rascunho da bíblia.
mais do que andar pra frente.
mais do que peidar pra trás.
do que subir pra cima e descer pra baixo.
mas eu só tive acesso faz pouco:
http://www.last.fm
ou
http://www.pandora.com
no last.fm, até lasciva lula meio que tem,
só falta uploadear as musicas.
achei incrivel.
BULA:
1- se voce é do tipo que sempre ouve as mesmas porcarias,
poderia começar ao menos a ouvir variacoes dessas porcarias.
2- seja feliz.
3- ouça outras coisas.
4- seja ainda mais feliz.
mklz
mais do que o rascunho da bíblia.
mais do que andar pra frente.
mais do que peidar pra trás.
do que subir pra cima e descer pra baixo.
mas eu só tive acesso faz pouco:
http://www.last.fm
ou
http://www.pandora.com
no last.fm, até lasciva lula meio que tem,
só falta uploadear as musicas.
achei incrivel.
BULA:
1- se voce é do tipo que sempre ouve as mesmas porcarias,
poderia começar ao menos a ouvir variacoes dessas porcarias.
2- seja feliz.
3- ouça outras coisas.
4- seja ainda mais feliz.
mklz
5.12.06
quem me conhece sabe.
em menos de uma hora de conversa,
já terei feito mais de nove referências aos excelentes malvados,
e umas dezesseis ou dezessete ao seinfeld.
em relação ao primeiro, vejam isto.
http://malvados.com.br/index904.html
e, já que você, amável leitor, conectou,
aproveite e dê uma sacada nisso aqui também:
http://youtube.com/watch?v=HfSGtDS8wCw
e eu que achei que já tinha visto tudo nessa vida!
(tá, na verdade eu nunca achei isso, mas era uma bela
frase de efeito para terminar um post numa matutina terça!)
mklz
em menos de uma hora de conversa,
já terei feito mais de nove referências aos excelentes malvados,
e umas dezesseis ou dezessete ao seinfeld.
em relação ao primeiro, vejam isto.
http://malvados.com.br/index904.html
e, já que você, amável leitor, conectou,
aproveite e dê uma sacada nisso aqui também:
http://youtube.com/watch?v=HfSGtDS8wCw
e eu que achei que já tinha visto tudo nessa vida!
(tá, na verdade eu nunca achei isso, mas era uma bela
frase de efeito para terminar um post numa matutina terça!)
mklz
1.12.06
Rapaz, "My humps", do Black Eyed Peas, é uma das coisas mais sensacionais que ouvi nos últimos tempos. Não há explicação lógica. Eu gosto, e muito. Primeiro vi o clipe, depois achei no You Tube para me certificar. Agora fui atrás da letra. E que letra! Ereção pouca é bobagem! Depois falo mais disso.